Ingratidão é fruto do egoísmo. Logo,
todos somos ingratos em alguma medida. Isso porque somos todos muito egoístas,
ainda. Então, antes de apontarmos o dedo e acusarmos alguém de ingratidão,
olhemos à nossa mão e percebamos que três dedos apontam na nossa direção. Ah!
Mas eu dei a vida, passei noites em claro, paguei as melhores escolas, dei o
meu tempo!!! Pode ser. Mas sempre está tudo certo. Em família, principalmente,
vivemos relações de débito e crédito e, de verdade, não sabemos quando estamos
credores e quando estamos devedores, mas sabemos, sim, que somos todos irmãos
vivendo em regime de aprendizado.
A bênção do esquecimento de nossos erros
tem seus prós e contras por conta da nossa ainda pouca evolução. Hoje, podemos
acreditar que demos o nosso melhor, mas no passado não sabemos os sentimentos
que plantamos no coração dos espíritos que estão nossos filhos e filhas; do
mesmo modo que nossos pais não sabem os sentimentos que plantaram em nossos
corações em outras encarnações que vivemos.
Daí a importância de não perdermos de vista
que cada um dá o que tem – nem mais nem menos, encarnação a encarnação.
A ingratidão é um sentimento que faz mal
ao ingrato e ao que sofre por não sentir-se acolhido, amado. Mas o nosso jeito
de amar ainda é “tortinho”, “fora do lugar”. Nós exigimos muito e fantasiamos
nossas exigências chamando-as de “amor”. Confundimos amor com posse, presença,
prisão, ao passo que o amor, genuíno, é libertário, não quer para si, mas dá de
si. Faz sem esperar retorno. Faz por amor ao amor.
Os laços de família existem para nos ajudar
a trabalhar os bons sentimentos, para nos ajudar a enfrentar desafios tendo
como ponto de partida o amor. Ainda não o amor genuíno, mas a consciência de
sua existência em nós.
Muitos comentam o desamor em família. E
ele acontece exatamente porque estamos pais, mães, irmãos, filhos, mas somos,
na verdade, espíritos buscando entrar em contato com as virtudes de Deus em nós,
sementes de sentimentos puros dentro de nós, que necessitam de rega, de
cuidado.
Todos estamos encarnados para progredir em
qualidade de sentimento. É nisso que temos de investir o tempo todo: cuidar do
que sentimos, do como sentimos, é fundamental para o nosso progresso.
Quando a ingratidão existe, tenhamos
certeza de que ela é reação a uma ação nossa em algum momento da nossa vida
inteira. Mas não nos culpemos nem alimentemos mágoa. É tempo de nos perdoarmos
para seguirmos em frente.
As grandes provas são, quase sempre,
indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do espírito. A nossa aceitação
ou não do desafio do momento serve de parâmetro no nosso processo evolutivo.
Agradeçamos o aprendizado. O amor não cobra pedágio.
Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XIV, “Honrar Pai e Mãe”,
item 9, “Ingratidão dos filhos e laços de família”.
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