Nós sempre lembramos de Deus como Pai, Criador, Todo Amor e Todo Misericórdia, mas raramente perguntamos a Deus como Ele nos vê. Nesta mensagem, no item 5, do capítulo XX, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, entretanto, o Espírito de Verdade nos conta sobre isso.
Deus espera de nós o mesmo que esperou de Jesus. Não! Ele não espera que sejamos crucificados, mas que sejamos bons, pacíficos, tolerantes, compreensivos, amorosos. Ele espera que, como Jesus, nos esforcemos para pacificar o mundo.
O Espírito de Verdade nos diz: "Chegastes no tempo em que se cumprirão as profecias referentes à transformação da Humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado com desinteresse, movidos pela caridade! Suas jornadas serão pagas ao cêntuplo... Felizes os que houverem dito unamos os nossos esforços, os que souberem calar os melindres, os que não alimentarem discórdia..."
Em sua mensagem, o Espírito de Verdade
não fala em recompensa, mas chama nossa atenção para o fato de que sempre
receberemos mais do mesmo, ou melhor, que sempre receberemos muito mais do mesmo: o cêntuplo, cem
vezes mais, pelo trabalho realizado! E também pelos sentimentos, pensamentos,
virtudes e vícios vividos e compartilhados.
Assim desde sempre vamos saber que se
tivermos piedade é com piedade que seremos tratado, mas que receberemos mais do
mesmo também se nos recusarmos a estender as mãos a quem nos pede ajuda.
Como Jesus esteve entre nós,
exemplificando como agir, não há mais espaço para alegarmos ignorância. Os
ensinamentos do Mestre foram divulgados de todas as formas possíveis: várias
religiões, doutrinas, pelos ateus e até pelos que não acreditam em Deus. Bem ou
mal, todos falaram e falam de Deus e de Jesus.
Vale saber - e o Espíritos nos esclarecem
também sobre isso - que da vida que vivemos surge em nós uma espécie de
tatuagem, invisível aos olhos da matéria, que mostra exatamente quem somos: se
servidores, parceiros, companheiros, trabalhadores fiéis ou apenas
aparentemente fiéis.
E assim estamos falando do mercado de trabalho divino, onde não é
greve nem paralisação que garantem aumento de salário nem hora trabalhada, mas
coragem, respeito, amor. Nos esclarecem os Espíritos que quem não recua diante
de sua tarefa, quem assume os postos mais difíceis, na grande obra da regeneração pelo Espiritismo,
serão os primeiros a desfrutar das bênçãos de Deus em sua plenitude, em sua
inteireza.
Mas o que entender por “obra de
regeneração pelo Espiritismo”?
- É colocar o amor na frente em todas as
situações da vida.
“Obra de regeneração pelo Espiritismo” é
estar em família com compreensão, paciência, tolerância, respeito, perdão; é
estar no mercado de trabalho sendo gentil e generoso com os colegas; é estar em
sociedade sem apontar o dedo, sem julgar, sem ser maledicente.
A Misericórdia divina é um dado da
realidade. Assim, é claro que todos chegaremos lá, é claro que todos
sentiremos, um dia, as bênçãos de Deus em sua plenitude. Só que cada um de
acordo com sua disposição, bom ânimo, coragem. Em resumo: de acordo com a sua
própria vontade.
Valores e Virtudes
Cada vez mais o mercado de trabalho exige
profissionais que saibam trabalham em equipe; sejam versáteis, capazes de atuar
em várias áreas; que solucionem problemas no lugar de criá-los; que tenham a
mente aberta, uma postura positiva diante dos desafios; que seja entusiasmado,
acredite em metas pessoais, se coloque na posição de aprendiz...
Observemos: tudo que o mercado de trabalho exige
como valores a serem cultivados pelos profissionais que anseiam recrutar, tem
sua raiz nas virtudes de Deus, colocadas em semente em cada um de nós. Desse
modo, as exigências do mercado de trabalho mais e mais se aproximam das
exigências para a evolução do Espírito.
O exemplo mais explícito deste encontro entre o
mercado de trabalho profissional e o mercado de trabalho divino é o saber trabalhar
em equipe, o que implica aceitar as diferenças e gerenciar conflitos – como em
família! Se o emprego, sempre temos aquele colega calcanhar-de-Aquiles, na
família não nos falta um parente difícil!
Outros pontos em comum? Deus espera de seus
trabalhadores integração, compartilhamento de saberes, iniciativa, respeito,
flexibilidade, tolerância, generosidade, gentileza...
Se nos esforçamos para ter a qualificação que o
mercado de trabalho exige, estaremos nos exercitando para desenvolver virtudes
em nós, que são conquistas eternas.
Em outras palavras, podemos usar o que é exigido na
vida profissional, na vida pessoal, em família, a fim de atender ao interesse
do Criador, que, de verdade, é interesse nosso, uma vez que somos nós quem necessitamos
de aprimoramento moral. Claro que, se quisermos, podemos inverter a ordem:
atendemos a Deus e nos qualificamos para o trabalho na matéria. Como sempre, a
escolha é nossa!
De qualquer modo, aquele que investir em
habilidades/valores como respeito, generosidade, gentileza, flexibilidade,
educação, compartilhamento de saberes... -, usando a Terra como campo
experimental de suas próprias virtudes, pode ser considerado um 'servidor' que
está contribuindo para a grande obra de Deus.
Conquistar uma colocação para este trabalho divino,
em equipe, como no mercado de trabalho profissional, no entanto, é tarefa
individual, deve partir da vontade de cada um. Do mesmo modo que acontece
quando vamos buscar uma vaga de emprego, chegamos sós e nos integramos.
É pela força da nossa vontade que
vencemos nossas más inclinações: de
fomentar discórdia, guerra, intolerância, preconceitos...
Se tivermos
vontade real de alcançarmos a transformação da Humanidade que somos, temos que
repensar nossas atitudes, nossas falas, julgamentos, pensamentos. Todos somos
educandos e educadores nas nossas relações. Temos sido intolerantes!!!
Mas, de
verdade, nós somos a mudança possível – assumamos esta responsabilidade! Evoluir
é escolha! Bem viver é escolha! Podemos – usando nossa inteligência e nossa
razão - retardar o processo de nossa própria evolução. Somos nós quem decidimos
o tempo que desejamos para bem viver. É por isso que não progredimos ao mesmo
tempo e da mesma maneira. Cada um faz a sua escolha e vai no seu ritmo.
Só não tenhamos
dúvida: tudo evolui - queiramos ou não! Na Lei de Deus está inserida a Lei do
Progresso. O que temos de decidir é se nós queremos progredir no nosso tempo ou
no de Deus.
E se ainda estivermos nos perguntando: Por que Deus
precisaria de trabalhadores se Ele pode tudo? A resposta é simples: “Por amor!
”
Deus nos criou simples, ignorantes, livres, potencialmente
inteligentes e virtuosos para que pudéssemos escolher como viver e crescer.
Fontes:
Evangelho Segundo o Espiritismo: página 134 e cap. XX
O
Livro dos Espíritos, questão 779