domingo, 14 de agosto de 2016

A família que eu escolhi

Resultado de imagem para familia universalA Humanidade é uma grande família. Somos todos da mesma cepa. Não importam as fronteiras, os diferentes idiomas com os quais nos comunicamos, a variedade cultural, a raça, a cor da pele, a religiosidade ou não, o viés político, nosso caráter, a bondade ou maldade em nós, o orgulho, o egoísmo... Nada importa. Somos todos irmãos, somos família!

Jesus, quando esteve entre nós, deixou isso muito claro em pelo menos duas situações, que aparecem nos Evangelhos de Marcos, Mateus e João:

Quando, no meio do povo, foi alertado da chegada de sua mãe e seus irmãos, Jesus respondeu, com as perguntas: “Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?” E apontando para os discípulos à sua volta disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos, porque aquele que fizer a vontade de meu Pau, esse é meu irmão, irmã e mãe.” (Marcos, 3:31-35 e Mateus, 12:46-50)

Na cruz, também, ao ver Maria chorando e perto dela o discípulo João, Jesus olhou para sua mãe e disse: “Mulher, eis teu filho”, apontando para João. Depois, dirigindo-se ao discípulo falou: “Eis tua mãe”. (João 19:26-27)

Mas não pensemos que estas passagens sejam a negação dos pais biológicos. Maria e José, pais biológicos de Jesus, como todos os pais e todas as mães, foram fundamentais para a Sua missão entre nós. Jesus precisava de um corpo físico para cumprir sua missão de exemplificar o amor. Nós precisamos do corpo físico para evoluir, desfazer enganos, nos aprimorar, desenvolver virtudes, aprender a amar.

Assim, apesar de todos os avanços da ciência, ainda precisamos de um pai e de uma mãe, mesmo que de laboratório, do banco de espermas, de aluguel, para reencarnarmos. Todos somos filhos de um pai e de uma mãe! Quer dizer, de algum modo, dois espíritos se dispuseram a garantir uma nova chance para nós aprendermos o que ainda não sabemos; se dispuseram a nos dar a vida.  E por ela, a vida, devemos ser gratos a nossos pais. Jesus reeditou o 5º mandamento, “honra a teu pai e a tua mãe”, por isso.

No alvo
O 5º mandamento é para que não percamos de vista a importância da nossa família carnal que pode, sim, transformar-se na nossa família espiritual se trabalharmos a tolerância, a paciência, a indulgência, a solidariedade, a gratidão, a ternura, o respeito, o perdão...

Se insistimos em alimentar sentimentos de desamor com relação aos nossos familiares – por mais justificadas que sejam as nossas razões -, abrimos mão de usufruir do presente da vida na sua inteireza, o que inclui o aprendizado de muitas lições nas quais já fomos reprovados em vidas passadas.

Todo sentimento, de amor ou desamor, antes de ir para o outro, acontece dentro de nós. Se ficamos reclamando, focando nas imperfeições do outro, só aprofundamos a insatisfação em nós, nos sabotamos. Cada um dá o que tem!

Não temos como mudar o passado e quanto mais cedo aceitarmos as coisas do jeitinho que aconteceram, mais rapidamente nos libertaremos dos sentimentos que nos paralisam, aprisionam, comprometem nosso caminhar, nossa alegria de viver.

Um parente que nos incomoda, não tenhamos dúvida, é sinal de alerta, para que transformemos os sentimentos que temos em relação a eles. Sentimento é alimento da alma.

Não é à-toa que Jesus nos convida ao autoconhecimento. Só assim vamos superar nossas imperfeições, nossa intolerância, incompreensão, animosidade, ciúme, raiva,  inveja, rebeldia... A verdade sobre nós mesmos é que nos liberta.

É no lar - nosso laboratório de aprendizagem - e é em família que temos a oportunidade de cumprir as leis de cooperação e de fraternidade, muitas vezes sem perceber, seja  cuidando uns dos outros por meio da alimentação, pagando as contas, limpando a casa, garantindo o teto, indo à escola, fazendo companhia, levando ao médico...

Estar em família é uma oportunidade abençoada para praticarmos a Lei do Amor, que nos ensina a fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem para nós. É em família, é no lar, que temos oportunidade das vivências, de trabalharmos nossas imperfeições, nossos enganos. É em família que somos perdoados e perdoamos a maioria das vezes.

Muitas vezes, o amor em família fica “escondido” por conta dos problemas do dia a dia. Mas ser pai, mãe, filho, filha são como missões que assumimos perante nós e os outros. Mas estamos em aprendizado. Por isso nem sempre somos os melhores pais, as melhores mães, os melhores filhos e filhas.

Não existe família errada. Fomos colocados em regime de intimidade para aprendermos uns com os outros e nos ampararmos reciprocamente – e na maioria absoluta dos casos, a escolha foi nossa! Silenciar, desculpar, amparar, amar muito e sempre. Todos somos irmãos, uma grande família em construção!


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