quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A porta, a chave, o chaveiro

A maioria de nós conhece a passagem em que Jesus nos fala para entrar pela porta estreita porque “larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição” (Mateus (VII: 13-14). A questão é que vivemos em um mundo em que as portas largas estão escancaradas! Viajando na alegoria proposta por Jesus, podemos pensar que os marceneiros que fabricam as portas largas contrataram a melhor equipe de marketing do planeta! Somos, todo o tempo, estimulados ao consumo desenfreado como sinônimo de sucesso, bem viver, de ter asas, criatividade, charme... Mesmo as religiões, muitas, vendem o conceito da porta larga quando sugerem que podemos comprar bênçãos divinas com dinheiro, quando na verdade as bênçãos divinas estão todo o tempo à nossa disposição!

Porta larga é propaganda enganosa, mesmo quando pensamos que ela é sinônimo de paixões e prazeres. Isso porque porta larga é também sinônimo de dor, a dor de quem mal sofre, de quem sofre com rebeldia, reclamação, acusações, desejo de vingança, ira, desejo de morte.

Quando escolhemos nos revoltar, não aceitar o que não podemos mudar, escolhemos a porta larga. Quando por medo da solidão nos transformamos em pais, mães, parceiros e parceiras cobradores, escolhemos a porta larga. Quando confundimos vingança com Justiça, posse com amor, orgulho com honra, escolhemos a porta larga.

Por meio da palavra, falada ou escrita, da ação ou do exemplo, também, muitos nos abrem portas, bem como nós abrimos portas para os outros, portas até com placas indicativas: “Porta da Indisciplina”, “Porta das Futilidades”, “Porta do Perigo”, “Porta da Preguiça”, “Porta da Maledicência”, “Porta da Inveja”... Observemos! Atitude é tudo!

Atitude de perdão, de compreensão, de compaixão, generosidade, solidariedade, é tudo de bom – a contramão disso, é tudo de mal. Mas não basta querer ser bom, é preciso ter atitudes de bondade. Cada lágrima que conseguimos enxugar abre, facilita nossa passagem pela porta estreita. Cada sorriso que conseguimos colocar em um rosto triste. Cada carinho em uma mão calejada, cada gesto de amor, abre, facilita nossa passagem pela porta estreita.

A nossa conduta diz quem somos. É nas situações do dia a dia, aparentemente insignificantes, que temos a oportunidade de exemplificar a compaixão, a dedicação, o acolhimento...

E o melhor: não precisamos de dia e hora marcados para sermos assim. Podemos investir, exercitar este modo de viver no lar, com nossos vizinhos, na rua, no transporte público, no ambiente de trabalho, o tempo todo, em todo lugar, com todo mundo.  

Importante: somos espíritos vivendo uma experiência na matéria, portanto, vivamos no mundo desfrutando de tudo de bom que ele nos oferece. Lembremos que a primeira manifestação de Jesus entre nos foi em uma festa. Quer dizer, a questão não é se divertir, mas o como estamos nos divertindo, como estamos nos relacionando, o que estamos compartilhando, quais têm sido as nossas escolhas.
                  
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A força da nossa vontade é uma das fantásticas ferramentas que temos à disposição para identificar a porta que nos convém. E, criados livres, temos a existência para eleger nossas prioridades, nosso caminho. Nascemos chaveiros e a cada reencarnação confeccionamos nossas chaves, fazemos cópias, abrimos fechaduras, trocamos segredos e assim, no nosso tempo, descobriremos os prós e contras de cada porta, conscientes de nossa responsabilidade por cada gesto.

Fontes:
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo
XAVIER, F. C. Cartas e Crônicas, pelo Espírito Irmão X
XAVIER, F. C. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X

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