A maioria de nós conhece a passagem em que Jesus nos fala para entrar
pela porta estreita porque “larga
é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição” (Mateus (VII: 13-14). A questão é
que vivemos em um mundo em que as portas largas estão escancaradas! Viajando na
alegoria proposta por Jesus, podemos pensar que os marceneiros que fabricam as
portas largas contrataram a melhor equipe de marketing do planeta! Somos, todo
o tempo, estimulados ao consumo
desenfreado como sinônimo de sucesso, bem viver, de ter asas, criatividade,
charme... Mesmo as religiões, muitas, vendem o conceito da porta larga quando
sugerem que podemos comprar bênçãos divinas com dinheiro, quando na
verdade as bênçãos divinas estão
todo o tempo à nossa disposição!
Porta larga é propaganda enganosa, mesmo quando pensamos que ela é sinônimo de paixões e prazeres. Isso porque porta
larga é também sinônimo de dor, a dor de quem mal sofre, de quem sofre com rebeldia,
reclamação, acusações, desejo de vingança, ira, desejo de morte.
Quando escolhemos nos revoltar, não
aceitar o que não podemos mudar, escolhemos a porta larga. Quando por medo da
solidão nos transformamos em pais, mães, parceiros e parceiras cobradores,
escolhemos a porta larga. Quando confundimos vingança com Justiça, posse com
amor, orgulho com honra, escolhemos a porta larga.
Por meio da palavra, falada ou escrita, da ação ou do
exemplo, também, muitos nos abrem portas, bem como nós abrimos portas para os outros,
portas até com placas indicativas: “Porta da Indisciplina”, “Porta das Futilidades”,
“Porta do Perigo”, “Porta da Preguiça”, “Porta da Maledicência”, “Porta da
Inveja”... Observemos! Atitude é tudo!
Atitude de perdão, de compreensão, de
compaixão, generosidade, solidariedade, é tudo de bom – a contramão disso, é
tudo de mal. Mas não basta querer ser bom, é preciso ter atitudes de bondade.
Cada lágrima que conseguimos enxugar abre, facilita nossa passagem pela porta
estreita. Cada sorriso que conseguimos colocar em um rosto triste. Cada carinho
em uma mão calejada, cada gesto de amor, abre, facilita nossa passagem pela
porta estreita.
A nossa conduta diz quem
somos. É nas situações do dia a dia, aparentemente insignificantes, que temos a
oportunidade de exemplificar a compaixão, a dedicação, o acolhimento...
E o melhor: não precisamos de
dia e hora marcados para sermos assim. Podemos investir, exercitar este modo de
viver no lar, com nossos vizinhos, na rua, no transporte público, no ambiente
de trabalho, o tempo todo, em todo lugar, com todo mundo.
Importante: somos espíritos vivendo uma
experiência na matéria, portanto, vivamos no mundo desfrutando de tudo de bom
que ele nos oferece. Lembremos que a primeira manifestação de Jesus entre nos
foi em uma festa. Quer dizer, a questão não é se divertir, mas o como estamos
nos divertindo, como estamos nos relacionando, o que estamos compartilhando,
quais têm sido as nossas escolhas.
A força da nossa vontade é uma das fantásticas ferramentas que temos à disposição para identificar a porta que nos
convém. E, criados livres, temos a existência
para eleger nossas prioridades, nosso caminho. Nascemos chaveiros
e a cada reencarnação confeccionamos nossas chaves, fazemos cópias, abrimos fechaduras, trocamos segredos e assim, no nosso tempo, descobriremos os
prós e contras de cada porta, conscientes de nossa responsabilidade por cada gesto.
Fontes:
KARDEC,
A. O Evangelho Segundo o Espiritismo
XAVIER,
F. C. Cartas e Crônicas, pelo Espírito Irmão X
XAVIER,
F. C. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X
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