domingo, 9 de outubro de 2016

Mercado de Trabalho Divino


Resultado de imagem para há vagasVivemos em um mundo de interexistência. Todo o tempo – utilizando uma expressão da atualidade – estamos juntos e misturados, espíritos encarnados e desencarnados. E tudo conspira em nossa existência para que aprendamos mais e mais sobre a vida em sua inteireza. A vida na carne é fundamental para que evoluamos como espíritos que somos. Quer dizer, “o lado de lá” não é mais importante que “o lado de cá” – e coloco as expressões entre aspas até porque minha primeira frase neste texto foi: “Vivemos em um mundo de interexistência”! O mercado de trabalho é um exemplo explícito desta realidade -  observei refletindo sobre o item 5, “Os Trabalhadores do Senhor”, do capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado “Os Trabalhadores da Última Hora”.

Nós sempre lembramos de Deus como Pai, Criador, Todo Amor e Todo Misericórdia, mas raramente perguntamos a Deus como Ele nos vê. Nesta mensagem, no item 5, do capítulo XX, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, entretanto, o Espírito de Verdade nos conta sobre isso.

Deus espera de nós o mesmo que esperou de Jesus. Não! Ele não espera que sejamos crucificados, mas que sejamos bons, pacíficos, tolerantes, compreensivos, amorosos. Ele espera que, como Jesus, nos esforcemos para pacificar o mundo. 

O Espírito de Verdade nos diz: "Chegastes no tempo em que se cumprirão as profecias referentes à transformação da Humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado com desinteresse, movidos pela caridade! Suas jornadas serão pagas ao cêntuplo... Felizes os que houverem dito unamos os nossos esforços, os que souberem calar os melindres, os que não alimentarem discórdia..." 


Em sua mensagem, o Espírito de Verdade não fala em recompensa, mas chama nossa atenção para o fato de que sempre receberemos mais do mesmo, ou melhor, que sempre receberemos muito mais do mesmo: o cêntuplo, cem vezes mais, pelo trabalho realizado! E também pelos sentimentos, pensamentos, virtudes e vícios vividos e compartilhados.

Assim desde sempre vamos saber que se tivermos piedade é com piedade que seremos tratado, mas que receberemos mais do mesmo também se nos recusarmos a estender as mãos a quem nos pede ajuda.

Como Jesus esteve entre nós, exemplificando como agir, não há mais espaço para alegarmos ignorância. Os ensinamentos do Mestre foram divulgados de todas as formas possíveis: várias religiões, doutrinas, pelos ateus e até pelos que não acreditam em Deus. Bem ou mal, todos falaram e falam de Deus e de Jesus.

Vale saber - e o Espíritos nos esclarecem também sobre isso - que da vida que vivemos surge em nós uma espécie de tatuagem, invisível aos olhos da matéria, que mostra exatamente quem somos: se servidores, parceiros, companheiros, trabalhadores fiéis ou apenas aparentemente fiéis.

E assim estamos falando do mercado de trabalho divino, onde não é greve nem paralisação que garantem aumento de salário nem hora trabalhada, mas coragem, respeito, amor. Nos esclarecem os Espíritos que quem não recua diante de sua tarefa, quem assume os postos mais difíceis, na grande obra da regeneração pelo Espiritismo, serão os primeiros a desfrutar das bênçãos de Deus em sua plenitude, em sua inteireza.

Mas o que entender por “obra de regeneração pelo Espiritismo”?
- É colocar o amor na frente em todas as situações da vida.
“Obra de regeneração pelo Espiritismo” é estar em família com compreensão, paciência, tolerância, respeito, perdão; é estar no mercado de trabalho sendo gentil e generoso com os colegas; é estar em sociedade sem apontar o dedo, sem julgar, sem ser maledicente.

A Misericórdia divina é um dado da realidade. Assim, é claro que todos chegaremos lá, é claro que todos sentiremos, um dia, as bênçãos de Deus em sua plenitude. Só que cada um de acordo com sua disposição, bom ânimo, coragem. Em resumo: de acordo com a sua própria vontade. 

Valores e Virtudes
Cada vez mais o mercado de trabalho exige profissionais que saibam trabalham em equipe; sejam versáteis, capazes de atuar em várias áreas; que solucionem problemas no lugar de criá-los; que tenham a mente aberta, uma postura positiva diante dos desafios; que seja entusiasmado, acredite em metas pessoais, se coloque na posição de aprendiz...

Observemos: tudo que o mercado de trabalho exige como valores a serem cultivados pelos profissionais que anseiam recrutar, tem sua raiz nas virtudes de Deus, colocadas em semente em cada um de nós. Desse modo, as exigências do mercado de trabalho mais e mais se aproximam das exigências para a evolução do Espírito.

O exemplo mais explícito deste encontro entre o mercado de trabalho profissional e o mercado de trabalho divino é o saber trabalhar em equipe, o que implica aceitar as diferenças e gerenciar conflitos – como em família! Se o emprego, sempre temos aquele colega calcanhar-de-Aquiles, na família não nos falta um parente difícil!
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Outros pontos em comum? Deus espera de seus trabalhadores integração, compartilhamento de saberes, iniciativa, respeito, flexibilidade, tolerância, generosidade, gentileza...

Se nos esforçamos para ter a qualificação que o mercado de trabalho exige, estaremos nos exercitando para desenvolver virtudes em nós, que são conquistas eternas.

Em outras palavras, podemos usar o que é exigido na vida profissional, na vida pessoal, em família, a fim de atender ao interesse do Criador, que, de verdade, é interesse nosso, uma vez que somos nós quem necessitamos de aprimoramento moral. Claro que, se quisermos, podemos inverter a ordem: atendemos a Deus e nos qualificamos para o trabalho na matéria. Como sempre, a escolha é nossa!

De qualquer modo, aquele que investir em habilidades/valores como respeito, generosidade, gentileza, flexibilidade, educação, compartilhamento de saberes... -, usando a Terra como campo experimental de suas próprias virtudes, pode ser considerado um 'servidor' que está contribuindo para a grande obra de Deus.

Conquistar uma colocação para este trabalho divino, em equipe, como no mercado de trabalho profissional, no entanto, é tarefa individual, deve partir da vontade de cada um. Do mesmo modo que acontece quando vamos buscar uma vaga de emprego, chegamos sós e nos integramos.

É pela força da nossa vontade que vencemos nossas más inclinações: de fomentar discórdia, guerra, intolerância, preconceitos...

Se tivermos vontade real de alcançarmos a transformação da Humanidade que somos, temos que repensar nossas atitudes, nossas falas, julgamentos, pensamentos. Todos somos educandos e educadores nas nossas relações. Temos sido intolerantes!!!

Mas, de verdade, nós somos a mudança possível – assumamos esta responsabilidade! Evoluir é escolha! Bem viver é escolha! Podemos – usando nossa inteligência e nossa razão - retardar o processo de nossa própria evolução. Somos nós quem decidimos o tempo que desejamos para bem viver. É por isso que não progredimos ao mesmo tempo e da mesma maneira. Cada um faz a sua escolha e vai no seu ritmo.
Só não tenhamos dúvida: tudo evolui - queiramos ou não! Na Lei de Deus está inserida a Lei do Progresso. O que temos de decidir é se nós queremos progredir no nosso tempo ou no de Deus.

E se ainda estivermos nos perguntando: Por que Deus precisaria de trabalhadores se Ele pode tudo? A resposta é simples: “Por amor! ”

Deus nos criou simples, ignorantes, livres, potencialmente inteligentes e virtuosos para que pudéssemos escolher como viver e crescer.

Fontes:
Evangelho Segundo o Espiritismo: página 134 e cap. XX
O Livro dos Espíritos, questão 779

sábado, 24 de setembro de 2016

Nós somos Fé, Esperança e Caridade

Um dia, três irmãs, batizada como Fé, Esperança e Caridade da Silva, de Oliveira, Cavalcanti, Santos, Pereira, Souza, Lima, Costa, Carvalho, Rodrigues (só para citar dos dez sobrenomes mais comuns no Brasil, nove deles de origem portuguesa) saíram pelo mundo para ajudar os aflitos.

À beira da estrada, elas encontraram uma pessoa muito doente, que pedia esmola e se sentia humilhada, ferida em seu orgulho por muitos daqueles que sequer lhe endereçavam um olhar.

A Fé, a mais forte das três, robusta e persuasiva, na hora, prontificou-se a ajudá-la, fazendo despertar sua semente adormecida naquele coração. E, imediatamente, sua força se fez sentir: a pessoa sentiu-se contagiada pela lembrança de Deus e acreditou que poderia, ela mesma, ajudar-se. Com uma coragem que nunca havia experimentado antes, levantou-se com dificuldade e buscou um hospital.

Contando com a , caminhando ao seu lado (mesmo sem ela saber), chegou ao pronto-socorro, suja, mal-cheirosa, mas foi acolhida com prontidão. Perceberam a urgência de seu caso. Acabou internada e viu-se, por consequência, assistida também em suas necessidades básicas, de higiene, alimentação e local para dormir.

Passado um tempo, curada, recebeu alta do hospital. Vale lembrar que, lá, aprendeu a orar e, ao alcançar a rua, com alegria, lembrou-se de Deus.

A continuava firme ao seu lado, mas não a impediu de lembrar sua situação: havia restabelecido a saúde, mas continuava sem casa, sem trabalho, sem família, sem amigos, sem amanhã.

Neste momento, a Esperança, que é como uma luz a iluminar-se dentro de nós para que não nos percamos na escuridão, entrou em ação e a “convidou” para um passeio no alto de uma montanha para aproveita o dia tão ensolarado. Lá, ela pode ver os férteis campos da região onde vivia. E, na hora, lhe veio a ideia de buscar o emprego em uma fazenda. Movida pela Esperança, pela confiança, com o pensamento positivo, se pôs a caminho. E conseguiu o emprego, com casa e comida.

Na fazenda, trabalhou duro, aprendeu a cultivar a terra, fez amigos, porque a Esperança fez dela alguém com quem todos gostavam de conviver, dado seu otimismo, sua alegria de viver.

Assim, em pouco tempo, a pessoa que vivia na mendicância havia guardado dinheiro suficiente para comprar suas próprias terras. Nada muito grande, mas o seu canto para viver.

Passados alguns anos, vamos encontrá-la, casada, com filhos e até com alguns empregados, além de muitos amigos conquistados.

Fé e Esperança, satisfeitas, disseram à Caridade: 
- Não te preocupes em realizar tua obra. Nós, juntas, mudamos completamente a vida desta pessoa, fazendo-a forte e próspera.

Mas, não demorou, Fé e Esperança perceberam seu pupilo triste e pensativo. Consultando seu coração ouviram: “Tenho tudo que podia querer, mas sinto um vazio tão grande no peito!”

As duas irmãs, analisando a situação, entenderam que precisavam da ajuda da Caridade.  E a pessoa, ao sentir a sua presença, que é o amor, genuíno, pleno, que não espera nada em troca, sentiu em seu coração a Lei de Deus em sua inteireza e encontrou em si o desejo de ajudar outras pessoas, fazendo todo o bem que pudesse e estimulando sua família a fazer o mesmo.

Resultado de imagem para fé esperança caridadeFé e Esperança entenderam que, apesar de terem realizado um trabalho de grandeza extraordinária, sem amor nada faz sentido.

Por isso, o Espírito José, no capítulo XIX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no item 11,  afirma que Fé, Esperança e Caridade são virtudes que formam “uma trindade inseparável”, fundamental, estão unidas pelos laços da razão e do sentimento- uma sustenta e precisa da outra para existir.  Fé e Esperança são nossos patrimônios íntimos de bênçãos e a Caridade é o canal que espalha essas bênçãos.

Todos temos as sementes da fé, da esperança, do amor. Só que como na história, elas podem estar adormecidas, necessitando de água, de cuidado... Como todas as nossas virtudes – e temos todas elas -, fé, esperança e amor para se manifestarem em toda a sua potencialidade, precisam de atenção.

Não adianta frequentarmos templos, igrejas, centros, casas espíritas, espiritualistas... Virtudes florescem e frutificam de dentro para fora, vivem em nós! 

Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que nos propomos a acalmar corações com palavras de estímulo, coragem, força, generosidade, acolhimento, luz. Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que escolhemos a paz,  a gentileza na nossas relações sociais. Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que nos propomos a combater o bom combate, respeitando os que pensam, agem e acreditam em verdades que não são as nossas.

Fontes:
Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 11

domingo, 14 de agosto de 2016

A família que eu escolhi

Resultado de imagem para familia universalA Humanidade é uma grande família. Somos todos da mesma cepa. Não importam as fronteiras, os diferentes idiomas com os quais nos comunicamos, a variedade cultural, a raça, a cor da pele, a religiosidade ou não, o viés político, nosso caráter, a bondade ou maldade em nós, o orgulho, o egoísmo... Nada importa. Somos todos irmãos, somos família!

Jesus, quando esteve entre nós, deixou isso muito claro em pelo menos duas situações, que aparecem nos Evangelhos de Marcos, Mateus e João:

Quando, no meio do povo, foi alertado da chegada de sua mãe e seus irmãos, Jesus respondeu, com as perguntas: “Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?” E apontando para os discípulos à sua volta disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos, porque aquele que fizer a vontade de meu Pau, esse é meu irmão, irmã e mãe.” (Marcos, 3:31-35 e Mateus, 12:46-50)

Na cruz, também, ao ver Maria chorando e perto dela o discípulo João, Jesus olhou para sua mãe e disse: “Mulher, eis teu filho”, apontando para João. Depois, dirigindo-se ao discípulo falou: “Eis tua mãe”. (João 19:26-27)

Mas não pensemos que estas passagens sejam a negação dos pais biológicos. Maria e José, pais biológicos de Jesus, como todos os pais e todas as mães, foram fundamentais para a Sua missão entre nós. Jesus precisava de um corpo físico para cumprir sua missão de exemplificar o amor. Nós precisamos do corpo físico para evoluir, desfazer enganos, nos aprimorar, desenvolver virtudes, aprender a amar.

Assim, apesar de todos os avanços da ciência, ainda precisamos de um pai e de uma mãe, mesmo que de laboratório, do banco de espermas, de aluguel, para reencarnarmos. Todos somos filhos de um pai e de uma mãe! Quer dizer, de algum modo, dois espíritos se dispuseram a garantir uma nova chance para nós aprendermos o que ainda não sabemos; se dispuseram a nos dar a vida.  E por ela, a vida, devemos ser gratos a nossos pais. Jesus reeditou o 5º mandamento, “honra a teu pai e a tua mãe”, por isso.

No alvo
O 5º mandamento é para que não percamos de vista a importância da nossa família carnal que pode, sim, transformar-se na nossa família espiritual se trabalharmos a tolerância, a paciência, a indulgência, a solidariedade, a gratidão, a ternura, o respeito, o perdão...

Se insistimos em alimentar sentimentos de desamor com relação aos nossos familiares – por mais justificadas que sejam as nossas razões -, abrimos mão de usufruir do presente da vida na sua inteireza, o que inclui o aprendizado de muitas lições nas quais já fomos reprovados em vidas passadas.

Todo sentimento, de amor ou desamor, antes de ir para o outro, acontece dentro de nós. Se ficamos reclamando, focando nas imperfeições do outro, só aprofundamos a insatisfação em nós, nos sabotamos. Cada um dá o que tem!

Não temos como mudar o passado e quanto mais cedo aceitarmos as coisas do jeitinho que aconteceram, mais rapidamente nos libertaremos dos sentimentos que nos paralisam, aprisionam, comprometem nosso caminhar, nossa alegria de viver.

Um parente que nos incomoda, não tenhamos dúvida, é sinal de alerta, para que transformemos os sentimentos que temos em relação a eles. Sentimento é alimento da alma.

Não é à-toa que Jesus nos convida ao autoconhecimento. Só assim vamos superar nossas imperfeições, nossa intolerância, incompreensão, animosidade, ciúme, raiva,  inveja, rebeldia... A verdade sobre nós mesmos é que nos liberta.

É no lar - nosso laboratório de aprendizagem - e é em família que temos a oportunidade de cumprir as leis de cooperação e de fraternidade, muitas vezes sem perceber, seja  cuidando uns dos outros por meio da alimentação, pagando as contas, limpando a casa, garantindo o teto, indo à escola, fazendo companhia, levando ao médico...

Estar em família é uma oportunidade abençoada para praticarmos a Lei do Amor, que nos ensina a fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem para nós. É em família, é no lar, que temos oportunidade das vivências, de trabalharmos nossas imperfeições, nossos enganos. É em família que somos perdoados e perdoamos a maioria das vezes.

Muitas vezes, o amor em família fica “escondido” por conta dos problemas do dia a dia. Mas ser pai, mãe, filho, filha são como missões que assumimos perante nós e os outros. Mas estamos em aprendizado. Por isso nem sempre somos os melhores pais, as melhores mães, os melhores filhos e filhas.

Não existe família errada. Fomos colocados em regime de intimidade para aprendermos uns com os outros e nos ampararmos reciprocamente – e na maioria absoluta dos casos, a escolha foi nossa! Silenciar, desculpar, amparar, amar muito e sempre. Todos somos irmãos, uma grande família em construção!