Um dia, três
irmãs, batizada como Fé, Esperança e Caridade
da Silva, de Oliveira, Cavalcanti, Santos, Pereira, Souza, Lima, Costa,
Carvalho, Rodrigues (só para citar dos dez sobrenomes mais comuns no Brasil,
nove deles de origem portuguesa) saíram pelo mundo para ajudar os aflitos.
À beira da
estrada, elas encontraram uma pessoa muito doente, que pedia esmola e se sentia
humilhada, ferida em seu orgulho por muitos daqueles que sequer lhe endereçavam
um olhar.
A Fé, a mais forte das três, robusta e
persuasiva, na hora, prontificou-se
a ajudá-la, fazendo despertar sua semente adormecida naquele coração. E, imediatamente,
sua força se fez sentir: a pessoa sentiu-se
contagiada pela lembrança de Deus e acreditou que poderia, ela mesma, ajudar-se.
Com uma coragem que nunca havia experimentado antes, levantou-se com
dificuldade e buscou um hospital.
Contando com a fé, caminhando ao seu lado (mesmo sem
ela saber), chegou ao pronto-socorro, suja, mal-cheirosa, mas foi acolhida com
prontidão. Perceberam a urgência de seu caso. Acabou internada e viu-se, por
consequência, assistida também em suas necessidades básicas, de higiene,
alimentação e local para dormir.
Passado um
tempo, curada, recebeu alta do hospital. Vale lembrar que, lá, aprendeu a orar
e, ao alcançar a rua, com alegria, lembrou-se de Deus.
A Fé continuava firme ao seu lado, mas
não a impediu de lembrar sua situação: havia restabelecido a saúde, mas continuava
sem casa, sem trabalho, sem família, sem amigos, sem amanhã.
Neste momento,
a Esperança, que é como uma luz a
iluminar-se dentro de nós para que não nos percamos na escuridão, entrou em
ação e a “convidou” para um passeio no alto de uma montanha para aproveita o
dia tão ensolarado. Lá, ela pode ver os férteis campos da região onde vivia. E,
na hora, lhe veio a ideia de buscar o emprego em uma fazenda. Movida pela Esperança, pela confiança, com o pensamento
positivo, se pôs a caminho. E conseguiu o emprego, com casa e comida.
Na fazenda, trabalhou
duro, aprendeu a cultivar a terra, fez amigos, porque a Esperança fez dela alguém com quem todos gostavam de conviver, dado
seu otimismo, sua alegria de viver.
Assim, em pouco
tempo, a pessoa que vivia na mendicância havia guardado dinheiro suficiente
para comprar suas próprias terras. Nada muito grande, mas o seu canto para
viver.
Passados alguns
anos, vamos encontrá-la, casada, com filhos e até com alguns empregados, além de
muitos amigos conquistados.
Fé e Esperança, satisfeitas, disseram à Caridade:
- Não te
preocupes em realizar tua obra. Nós, juntas, mudamos completamente a vida desta
pessoa, fazendo-a forte e próspera.
Mas, não
demorou, Fé e Esperança perceberam
seu pupilo triste e pensativo. Consultando seu coração ouviram: “Tenho tudo que
podia querer, mas sinto um vazio tão grande no peito!”
As duas irmãs, analisando
a situação, entenderam que
precisavam da ajuda da Caridade. E
a pessoa, ao sentir a sua presença, que
é o amor, genuíno, pleno, que não espera nada em troca, sentiu em seu
coração a Lei de Deus em sua inteireza e encontrou em si o desejo de ajudar
outras pessoas, fazendo todo o bem que pudesse e estimulando sua família a fazer
o mesmo.
Por isso, o Espírito José, no capítulo
XIX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no item 11, afirma que Fé, Esperança e Caridade são virtudes que formam “uma trindade inseparável”,
fundamental, estão unidas pelos laços da razão e
do sentimento- uma sustenta
e precisa da outra para existir. Fé e Esperança são nossos patrimônios íntimos de bênçãos
e a Caridade é o canal que espalha essas bênçãos.
Todos temos as sementes da fé, da esperança, do amor. Só que
como na história, elas podem estar adormecidas, necessitando de água, de cuidado...
Como todas as nossas virtudes – e temos todas elas -, fé, esperança e amor para
se manifestarem em toda a sua potencialidade, precisam de atenção.
Não adianta frequentarmos templos, igrejas, centros, casas
espíritas, espiritualistas... Virtudes florescem e frutificam de dentro para
fora, vivem em nós!
Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que
nos propomos a acalmar corações com palavras
de estímulo, coragem, força, generosidade, acolhimento, luz. Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que escolhemos a paz, a gentileza na nossas relações sociais. Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que nos propomos a combater o bom combate, respeitando os que pensam, agem e acreditam em verdades que não são as nossas.
Fontes:
Evangelho Segundo o Espiritismo,
cap. XIX, item 11
Nenhum comentário:
Postar um comentário