sexta-feira, 29 de julho de 2016

Quer casar comigo?

A maioria de nós insiste em responder “não” a esta pergunta que nos é feita, com insistência, todo o tempo, a vida inteira. Se quisermos pensar na primeira vez que ouvimos, explicitamente, este convite “Quer casar comigo?”, lembremos a Parábola das Bodas, a Festa de Núpcias, contada no Evangelho de Mateus (22:1-4).

A parábola conta a história de um rei que queria dar a maior festa de núpcias de todos os tempos, queria celebrar a união por amor. Para isso, ele enviou seus servos para que convidassem todas as pessoas que, de algum modo, já frequentavam seu palácio. Para espanto do rei, no entanto, todos os convidados, com desculpas esfarrapadas, recusaram o convite, muitos, inclusive, foram rudes, violentos com os emissários. Mas o rei não desistiu de celebrar a união por amor com uma grande festa. Queria o palácio lotado para que as pessoas sentissem a força do amor e determinou que todos da cidade fossem convidados, independentemente de serem boas ou más. Assim, no dia da grande festa, o palácio ficou lotado. Mas nem todos cuidaram de se trajar como se deve para uma festa de casamento. E o rei, zangado, mandou expulsar a pessoa que não estava vestida de maneira adequada, dizendo, inclusive, que ela deveria responsabilizar-se por sua inadequação, por não ter-se preparado para a celebração do amor.

Esta parábola mostra nossa relação com Deus – Ele é o rei e seu filho, que veio celebrar o amor, é Jesus. A humanidade são os convidados, somos nós nas nossas diferentes relações com o divino – muitos O louvamos, outros tantos lembramos d’Ele na hora das petições, outros tantos negamos Sua existência, outros ainda têm fé da boca para fora, outros usam seu nome em vão... Os emissários, que foram fazer os convites, são os profetas e os missionários que pagaram com a vida por convidar as pessoas para a grande festa da celebração do amor, a festa de núpcias, de casamento.

De acordo com a parábola, todos foram chamados, mas mesmo entre os que aceitaram o convite, alguns vieram apenas por curiosidade, sem se preocupar com a veste nupcial.

Nós sempre somos convocados ao testemunho do amor, do bem, da vida, seja por meio de convites para festas de casamento, de batismo, de aniversário; seja por meio da filosofia, da ciência, da literatura, da música, das religiões, dos desafios do dia a dia, da misericórdia divina que nos permite viver momentos felizes.  Nós sempre somos convocados ao testemunho do amor.

Recebemos revelações divinas todo o tempo, com o nascimento de um bebê, com a cura de uma doença, a descoberta de um novo planeta, com a produção de alimentos, os avanços tecnológicos... Somos, todo o tempo, estimulados a trabalhar virtudes, a caridade, os bons sentimentos em nós, a inteligência, a sabedoria, todos já registrados de viva voz pelo próprio Jesus.

Somos estimulados todo o tempo a nos comportarmos com ética, mas apegados à matéria, ao supérfluo, aos valores transitórios e prazeres imediatos, recusamos, dia a dia, o convite para amarmos muito e sempre. Assim,  deixamos de cuidar da veste nupcial, da “roupa adequada” para celebrarmos o amor.

Todos nascemos com a veste adequada para celebrarmos o amor, que é o coração puro. Mas, criados simples e ignorantes, fomos vivendo e escolhendo alimentar em nós sentimentos que maculam, “sujam” nosso coração, nossa veste nupcial.

Paixão, ciúme, vaidade, discórdia, revolta, avareza, apego, raiva, posse, desejo de vingança são exemplos de sentimentos que “sujam” nosso coração, nossa veste nupcial.

Autoconhecimento
Para cada um de nós limpar o coração, entretanto, antes, temos que saber quais são as nossas “sujeirinhas”, os sentimentos que têm comprometido nossa pureza de viver.

E assim, mais uma vez, Jesus nos fala da importância do autoconhecimento, da importância de sabermos quem somos, o que e como sentimos.

Hoje em dia, as empresas, para melhor se posicionarem no mercado, costumam utilizar uma estratégia, na qual analisam seus pontos fortes, seus pontos fracos, as ameaças da concorrência e do próprio negócio, bem como as potencialidades, de modo a planejar um futuro que lhes garanta sucesso.

Façamos isso com as nossas vidas, identificando nossos pontos fortes, como as virtudes que já conquistamos; nossos pontos fracos, como nossos enganos, vacilos e invigilância; nossas ameaças, que podem ser identificadas pelo nosso grau de orgulho e egoísmo; e nossas oportunidades reais de crescimento nesta encarnação, como a disposição de nos modificarmos, de nos autoconhecermos, de entrarmos em contato com o amor em nós. Assim, pouco a pouco, vamos nos libertando do sofrimento e da dor, substituindo vícios e imperfeições por leveza, paz interior...

Fica subentendido nesta parábola que nem sempre nos preparamos para vivenciar os ensinamentos de Jesus. Mesmo quando buscamos Deus, o rei, por meio da prece, de promessas, novenas, doações ou de assistências espirituais, queremos o milagre, a bênção de mão única, esquecendo nossa condição de responsáveis por todos os atos da nossa vida. Ao buscarmos Deus, queremos que, em um passe de mágica, Ele solucione os nossos ais.

Mas só a verdade é libertadora, verdade sobre nós mesmos. Daí a importância de nos perguntarmos sobre a nossa responsabilidade por tudo que nos acontece. Só sabendo quem somos teremos condições de promover mudanças na nossa maneira de estar na vida. Só tendo clareza do nível do nosso apego material, da nossa disposição em ser caridoso ou não, da nossa capacidade de amar ou não, teremos condições de elaborar um plano de crescimento íntimo.

Vale refletirmos sobre a utilidade ou inutilidade de cada um dos sentimentos que guardamos no peito. De que nos vale a impaciência, a arrogância, a falta de tolerância, a incompreensão, o julgamento dos outros, a raiva?... Quais sentimentos são como véus que nos impedem de ver a verdade sobre nós, sobre a nossa vida? Quais sentimentos endurecem a nossa alma?

Deus é sempre misericordioso. Nós é que nem sempre estamos preparados para perceber e desfrutar de sua misericórdia. Costumamos dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas não. Deus escreve certo por linhas certas. Nós é que não sabemos ler. Daí não usarmos a roupa adequada ao irmos a uma festa de casamento! Daí a nossa imprevidência. Daí o nosso atraso espiritual.

A veste de núpcias simboliza o amor, a humildade, a boa vontade em encontrar a verdade para observá-la, ou seja, a pureza das intenções.

As conquistas morais são para sempre. Nos acompanham a cada reencarnação, nos fortalecendo para novos aprimoramentos e para entrar em contato com o amor genuíno. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Corpo e espírito, cúmplices de jornada

Todos somos espíritos em aprendizado na matéria, na carne, no corpo.  Cada um de nós, nesta fase da vida, precisa de um corpo para que o espírito se aprimore, conquiste o bem-estar, o bem viver, a paz íntima, o amor. É o espírito que anima, dá vida, ao corpo. É o corpo que proporciona ao espírito a oportunidade única de evoluir. Utilizando expressão da atualidade, o progresso só acontece pra valer com corpo e espírito “juntos e misturados”!

Resultado de imagem para chakras e centros de forçaDuvida?! Não importa! Corpo e espírito vivem em dependência recíproca. Tudo que acontece em um, reflete-se no outro. Cuidar de um é cuidar de outro. Negligenciar um é negligenciar o outro.

Então, como cuidar do corpo e do espírito se os dois são tão diferentes e têm necessidades tão específicas?

Um bom ponto de partida é considerá-los cúmplices de jornada e seguirmos vivendo como as pessoas do nosso tempo vivem, cultivando alegria, desfrutando de tudo que a vida nos oferece: conforto, lazer, tecnologia, prazeres...

A condição humana nos permite tudo, o que não devemos é abusar, nos escravizar, comprometer nossa jornada. Nunca é demais lembrar o  apóstolo Paulo: Tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém. (1 Coríntios 6:12)

Hoje não nos falta informação! Talvez nos falte amor, autoamor, e determinação para usar o livre-arbítrio a nosso favor, indo além dos prazeres instantâneos!

Cada um de nós é responsável pela própria vida. De tempos em tempos, é importante avaliarmos o que estamos dando para a vida, porque a vida nos devolve tudo que damos a ela. É interessante que tenhamos sempre em vista nossa condição de mudar a trajetória, de refazer os planos, de ajustar a caminhada, a rota. A condução é sempre nossa!

Pensando no corpo
Sabemos, por exemplo, da importância de uma boa noite de sono e da prática de exercícios físicos; do mal que faz excesso de sal e de gordura na nossa alimentação; da necessidade de buscar ar puro, tomar sol em horário adequado, consumir frutas, verduras e legumes; da importância do lazer; do risco da automedicação, do uso de drogas (lícitas e ilícitas) e da prática do sexo desenfreado e/ou sem proteção.

Sentimentos e pensamentos também se refletem no nosso corpo. Esperança, fé, amor, alegria, paz, boas ideias, proporcionam energias que equilibram e deixam o nosso organismo saudável. Já o ódio, o rancor, a raiva, a tristeza, a mágoa, o desejo de vingança causam perturbações e doenças. E estes são só exemplos para o bem e para o mal.

Mesmo quem acredita que maltratando o corpo – jejuando, por exemplo -  purifica a alma comete ação contra o patrimônio divino que usamos por empréstimo. Sim! Nosso corpo está conosco por empréstimo – e assinamos termo de garantia. Aí outra responsabilidade: na devolução, temos de prestar contas de como o usamos: gasto, envelhecido, faz parte... Mas e o que foi, deliberadamente, mal uso, descuido?

Nosso corpo é instrumento para experiências evolutivas, está momentaneamente ligado a nós, como uma roupa que usamos para não andarmos nus. A ideia de que “o corpo é meu e faço com ele o que quero” está em desalinho com os esclarecimentos dos Espíritos. Nosso corpo físico atende a nossas necessidades espirituais. Não existe acaso nem improviso na nossa vida inteira.

Em absolutamente tudo, somos herdeiros de nós mesmos. Quer dizer, em outras reencarnações, teremos o corpo que tivermos deixado ao partir, sem o desgaste natural do tempo, mas com as marcas do nosso livre-arbítrio, das nossas escolhas.

Pensando no espírito
O espírito também necessita de manutenção, de atenção. Mas cuidar do espírito não é orar 24 horas por dia. Cuidar do espírito é escolher sempre o bem, o amor, reconhecer a presença de Deus nos mínimos detalhes: na flor que nasce no meio do asfalto, no dia chuvoso ou ensolarado, na pessoa que nos auxilia ou nos repudia, nos nossos sentidos...

A conexão com Deus é natural quando colocamos o amor à frente de todas as nossas atitudes. Quanto mais fraternos, mais sentimos o divino em nós. 

Em qualquer lugar, em qualquer situação, podemos ser a pessoa que faz a diferença, que propõe um olhar diferente, pois contempla a vida na matéria e a vida em espírito.  E quem assim age não assume atitudes impensadas, não vive no bateu-levou; devolve o mal com o bem...  

Ah, é um santo? Uma santa? – você pode estar pensando...
- Não. Cuidar do corpo e do espírito é dizer ‘sim’ para tudo que a vida oferece, sem fanatismo religioso e sem alienação de nossas necessidades de lazer, sexo, conforto, alegrias. É no exagero, no desrespeito a nós mesmos e ao próximo, que comprometemos nossa caminhada. A palavra é equilíbrio.

E buscar esse equilíbrio com calma, respeito e dignidade é a nossa tarefa individual: somos responsáveis por cada uma de nossas escolhas – e nunca é demais lembrar que “nada fazer” é, também, uma escolha.

Corpo e alma são necessários um ao outro. É preciso cuidar de ambos. Vamos desfrutar da bênção que é viver, mas não percamos de vista o bem, não percamos de vista o amor, não percamos de vista a nossa inteireza, plenitude, não percamos de vista os ensinamentos de Jesus, não percamos de vista Deus, em nós.

  

Fontes:
1 -  O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 17, item 11;
2 - O Livro dos Espíritos, questões 718 a 727;
3 - O Espírito da Verdade (Espíritos Diversos); [psicografado por] F.C.Xavier e Waldo Vieira 




terça-feira, 19 de julho de 2016

O amor não cobra pedágio

Ingratidão é fruto do egoísmo. Logo, todos somos ingratos em alguma medida. Isso porque somos todos muito egoístas, ainda. Então, antes de apontarmos o dedo e acusarmos alguém de ingratidão, olhemos à nossa mão e percebamos que três dedos apontam na nossa direção. Ah! Mas eu dei a vida, passei noites em claro, paguei as melhores escolas, dei o meu tempo!!! Pode ser. Mas sempre está tudo certo. Em família, principalmente, vivemos relações de débito e crédito e, de verdade, não sabemos quando estamos credores e quando estamos devedores, mas sabemos, sim, que somos todos irmãos vivendo em regime de aprendizado.

A bênção do esquecimento de nossos erros tem seus prós e contras por conta da nossa ainda pouca evolução. Hoje, podemos acreditar que demos o nosso melhor, mas no passado não sabemos os sentimentos que plantamos no coração dos espíritos que estão nossos filhos e filhas; do mesmo modo que nossos pais não sabem os sentimentos que plantaram em nossos corações em outras encarnações que vivemos.

Daí a importância de não perdermos de vista que cada um dá o que tem – nem mais nem menos, encarnação a encarnação.

A ingratidão é um sentimento que faz mal ao ingrato e ao que sofre por não sentir-se acolhido, amado. Mas o nosso jeito de amar ainda é “tortinho”, “fora do lugar”. Nós exigimos muito e fantasiamos nossas exigências chamando-as de “amor”. Confundimos amor com posse, presença, prisão, ao passo que o amor, genuíno, é libertário, não quer para si, mas dá de si. Faz sem esperar retorno. Faz por amor ao amor.

Os laços de família existem para nos ajudar a trabalhar os bons sentimentos, para nos ajudar a enfrentar desafios tendo como ponto de partida o amor. Ainda não o amor genuíno, mas a consciência de sua existência em nós.

Muitos comentam o desamor em família. E ele acontece exatamente porque estamos pais, mães, irmãos, filhos, mas somos, na verdade, espíritos buscando entrar em contato com as virtudes de Deus em nós, sementes de sentimentos puros dentro de nós, que necessitam de rega, de cuidado.

Todos estamos encarnados para progredir em qualidade de sentimento. É nisso que temos de investir o tempo todo: cuidar do que sentimos, do como sentimos, é fundamental para o nosso progresso.

Quando a ingratidão existe, tenhamos certeza de que ela é reação a uma ação nossa em algum momento da nossa vida inteira. Mas não nos culpemos nem alimentemos mágoa. É tempo de nos perdoarmos para seguirmos em frente.


Resultado de imagem para amor libertaVamos aprender a dar amor incondicionalmente, não importa a atitude do outro. Vamos sempre vibrar amor, entendimento, perdão, até que não sintamos mais dor. Não vamos nos julgar nem julgar aos outros. Vamos exemplificar o viver no bem. Estamos aprendendo a amar.

As grandes provas são, quase sempre, indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do espírito. A nossa aceitação ou não do desafio do momento serve de parâmetro no nosso processo evolutivo. Agradeçamos o aprendizado. O amor não cobra pedágio.

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XIV, “Honrar Pai e Mãe”, item 9, “Ingratidão dos filhos e laços de família”.





domingo, 17 de julho de 2016

Deixa a vida me levar?

Vivamos, vivamos intensamente, desfrutando de tudo que a Vida nos oferece em bem-estar, relacionamentos, tecnologia, prazeres, mas não percamos de vista o bem, não percamos de vista o amor, não percamos de vista o equilíbrio, não percamos de vista a ética, o respeito por nós e pelos outros. Nada de deixa a vida me levar... Que cada um assuma a responsabilidade pelo próprio viver.

Os espíritos, já em 1863, nos aconselhavam literalmente: “Não deixeis que pensamentos fúteis ou mundanos os perturbem (...) Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens; sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades de cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza (...) Estai sempre alegres e contentes, mas com a alegria de uma boa consciência e a ventura do herdeiro do céu (...) A virtude não consiste numa aparência severa e lúgubre, ou em repelir os prazeres que a condição humana permite. (...) Nada façais sem que a lembrança de Deus venha purificar e santificar os vossos atos”.

Não é preciso orar 24 horas por dia, apontar o dedo para o que não considera correto, se colocar na posição de julgador do mundo. O conselho da Espiritualidade é estarmos no mundo sem abrirmos mão da condução da nossa própria vida. Estarmos no mundo usando de nossa inteligência, de nosso livre-arbítrio, de Deus em nós em amor, sabedoria e virtudes.

Podemos viver os prazeres do mundo, pois a condição humana nos permite. O que não devemos é abusar dos prazeres e a eles nos escravizar. Como nos ensina o apóstolo Paulo: Todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas as coisas nos convêm. (1 Coríntios 6:12)

Não raro nos pegamos comentando sobre a falta de humanidade, dos outros! - aliás, o que é humanidade? - Sobre os erros, dos outros! Sobre os enganos, dos outros!!! Vamos cuidar para não cairmos no fanatismo, alienados de nossas necessidades de lazer, sexo, conforto, alegrias. É no exagero, na falta de equilíbrio, no desrespeito a nós mesmos e às outras pessoas que identificamos nossas necessidades de aprendizado.

Não percamos de vista a sugestão da Espiritualidade: Purificai o coração. Cuide do pensamento. Elevai o espírito para produzir os frutos da caridade e da justiça.

Outro ponto bastante interessante para o qual os Espíritos chamam nossa atenção é para a prece. Nada de vida mística, buscando proteger-se da sociedade em que vivemos, da qual fazemos parte. Nossa conexão com Deus é natural quando colocamos o amor à frente de todas as nossas atitudes. Quanto mais fraternos, mais nos conectamos com o divino em nós.  O trabalho útil, a palavra amorosa, o conforto, a solidariedade, o acolhimento são formas de prece.
Nosso desafio é estar no mundo, viver o nosso tempo de encarnados como encarnados, nos interessando pelas questões sociais, econômicas, políticas, do dia a dia. Aproveitemos as oportunidades que nos caem nas mãos diariamente. O que vai fazer a diferença, sempre, é o como vamos viver cada situação. Podemos escolher ser a pessoa que vai fazer a diferença, que vai propor um novo olhar, um novo agir, um novo falar. 

Não aprende nada aquele que, sentado à janela, exclui-se da vida comum, julgando-se acima do bem e do mal. Vamos lembrar: para fazer o bem é preciso a ação da vontade. Para fazer o mal, basta não fazer nada. Estamos aqui. Fazemos parte. Devemos lidar com a realidade que nos rodeia. Temos responsabilidade com o mundo em que vivemos, com todos os seres.

Um exemplo simples que ouvi, certa vez, em palestra do jornalista André Trigueiro. Ele perguntou:
-  “Sabe por que os espíritas não se preocupam com o meio ambiente?
E ele mesmo respondeu:
-  “Porque, para os espíritas, a verdadeira pátria é a pátria espiritual!

Só que nos esquecemos que é na Terra, este planeta-escola que nos acolhe na reencarnação, que aprendemos e que, ao reencarnarmos aqui, sempre encontraremos o planeta do jeitinho que o deixarmos, mesmo transformado em um planeta de regeneração. Até porque a regeneração será também a nossa.  Seremos pessoas mais caridosas, solidárias, mas teremos menos o que compartilhar em riquezas naturais,   alimentos, ar puro, sombra...

Em outras palavras: nenhum de nós está em temporada de férias. Encarnamos a trabalho, trabalho a favor do nosso planeta-escola que nos acolhe para o nosso aprimoramento, para a corrigenda de enganos, para o nosso aprendizado; a favor da nossa evolução e da evolução de todos que amamos.

Resultado de imagem para caminhoDaí, também, fundamental é o nosso contato com espíritos encarnados de naturezas diversas. Não devemos absolutamente evitar o contato das pessoas que não pensam como nós. Devemos viver pacificamente com todos, colaborando com o bem-estar comum.

É vivendo com os semelhantes, nas lutas mais árduas, que temos a oportunidade de entrar em contato com a caridade, usufruindo dela ou praticando-a. Somos todos necessitados da bondade uns dos outros, ainda. Por isso, também, não devemos nos isolar. Quando nos isolamos voluntariamente, nos sabotamos, desperdiçamos uma chance abençoada de aprimoramento. Somente no contato com os semelhantes, encontramos ocasião de tornarmos melhores. Todo convívio é oportunidade de exercício no bem. A vida não improvisa, não existem encontros casuais.  
Alegria, independentemente do que nos aconteça, é caminho para sermos virtuosos. E onde existe alegria, a severidade naturalmente se intimida. Nem sempre é suave conviver com pessoas diferentes de nós – mas, como já escrevi, não estamos em férias. Logo, ao trabalho!


Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 10, “O homem no mundo”