domingo, 17 de julho de 2016

Deixa a vida me levar?

Vivamos, vivamos intensamente, desfrutando de tudo que a Vida nos oferece em bem-estar, relacionamentos, tecnologia, prazeres, mas não percamos de vista o bem, não percamos de vista o amor, não percamos de vista o equilíbrio, não percamos de vista a ética, o respeito por nós e pelos outros. Nada de deixa a vida me levar... Que cada um assuma a responsabilidade pelo próprio viver.

Os espíritos, já em 1863, nos aconselhavam literalmente: “Não deixeis que pensamentos fúteis ou mundanos os perturbem (...) Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens; sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades de cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza (...) Estai sempre alegres e contentes, mas com a alegria de uma boa consciência e a ventura do herdeiro do céu (...) A virtude não consiste numa aparência severa e lúgubre, ou em repelir os prazeres que a condição humana permite. (...) Nada façais sem que a lembrança de Deus venha purificar e santificar os vossos atos”.

Não é preciso orar 24 horas por dia, apontar o dedo para o que não considera correto, se colocar na posição de julgador do mundo. O conselho da Espiritualidade é estarmos no mundo sem abrirmos mão da condução da nossa própria vida. Estarmos no mundo usando de nossa inteligência, de nosso livre-arbítrio, de Deus em nós em amor, sabedoria e virtudes.

Podemos viver os prazeres do mundo, pois a condição humana nos permite. O que não devemos é abusar dos prazeres e a eles nos escravizar. Como nos ensina o apóstolo Paulo: Todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas as coisas nos convêm. (1 Coríntios 6:12)

Não raro nos pegamos comentando sobre a falta de humanidade, dos outros! - aliás, o que é humanidade? - Sobre os erros, dos outros! Sobre os enganos, dos outros!!! Vamos cuidar para não cairmos no fanatismo, alienados de nossas necessidades de lazer, sexo, conforto, alegrias. É no exagero, na falta de equilíbrio, no desrespeito a nós mesmos e às outras pessoas que identificamos nossas necessidades de aprendizado.

Não percamos de vista a sugestão da Espiritualidade: Purificai o coração. Cuide do pensamento. Elevai o espírito para produzir os frutos da caridade e da justiça.

Outro ponto bastante interessante para o qual os Espíritos chamam nossa atenção é para a prece. Nada de vida mística, buscando proteger-se da sociedade em que vivemos, da qual fazemos parte. Nossa conexão com Deus é natural quando colocamos o amor à frente de todas as nossas atitudes. Quanto mais fraternos, mais nos conectamos com o divino em nós.  O trabalho útil, a palavra amorosa, o conforto, a solidariedade, o acolhimento são formas de prece.
Nosso desafio é estar no mundo, viver o nosso tempo de encarnados como encarnados, nos interessando pelas questões sociais, econômicas, políticas, do dia a dia. Aproveitemos as oportunidades que nos caem nas mãos diariamente. O que vai fazer a diferença, sempre, é o como vamos viver cada situação. Podemos escolher ser a pessoa que vai fazer a diferença, que vai propor um novo olhar, um novo agir, um novo falar. 

Não aprende nada aquele que, sentado à janela, exclui-se da vida comum, julgando-se acima do bem e do mal. Vamos lembrar: para fazer o bem é preciso a ação da vontade. Para fazer o mal, basta não fazer nada. Estamos aqui. Fazemos parte. Devemos lidar com a realidade que nos rodeia. Temos responsabilidade com o mundo em que vivemos, com todos os seres.

Um exemplo simples que ouvi, certa vez, em palestra do jornalista André Trigueiro. Ele perguntou:
-  “Sabe por que os espíritas não se preocupam com o meio ambiente?
E ele mesmo respondeu:
-  “Porque, para os espíritas, a verdadeira pátria é a pátria espiritual!

Só que nos esquecemos que é na Terra, este planeta-escola que nos acolhe na reencarnação, que aprendemos e que, ao reencarnarmos aqui, sempre encontraremos o planeta do jeitinho que o deixarmos, mesmo transformado em um planeta de regeneração. Até porque a regeneração será também a nossa.  Seremos pessoas mais caridosas, solidárias, mas teremos menos o que compartilhar em riquezas naturais,   alimentos, ar puro, sombra...

Em outras palavras: nenhum de nós está em temporada de férias. Encarnamos a trabalho, trabalho a favor do nosso planeta-escola que nos acolhe para o nosso aprimoramento, para a corrigenda de enganos, para o nosso aprendizado; a favor da nossa evolução e da evolução de todos que amamos.

Resultado de imagem para caminhoDaí, também, fundamental é o nosso contato com espíritos encarnados de naturezas diversas. Não devemos absolutamente evitar o contato das pessoas que não pensam como nós. Devemos viver pacificamente com todos, colaborando com o bem-estar comum.

É vivendo com os semelhantes, nas lutas mais árduas, que temos a oportunidade de entrar em contato com a caridade, usufruindo dela ou praticando-a. Somos todos necessitados da bondade uns dos outros, ainda. Por isso, também, não devemos nos isolar. Quando nos isolamos voluntariamente, nos sabotamos, desperdiçamos uma chance abençoada de aprimoramento. Somente no contato com os semelhantes, encontramos ocasião de tornarmos melhores. Todo convívio é oportunidade de exercício no bem. A vida não improvisa, não existem encontros casuais.  
Alegria, independentemente do que nos aconteça, é caminho para sermos virtuosos. E onde existe alegria, a severidade naturalmente se intimida. Nem sempre é suave conviver com pessoas diferentes de nós – mas, como já escrevi, não estamos em férias. Logo, ao trabalho!


Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 10, “O homem no mundo” 

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