Vivamos,
vivamos intensamente, desfrutando de tudo que a Vida nos oferece em bem-estar,
relacionamentos, tecnologia, prazeres, mas não percamos de vista o bem, não percamos de vista o amor, não percamos de vista o equilíbrio, não percamos de vista a
ética, o respeito por nós e pelos outros. Nada de deixa a vida me levar... Que
cada um assuma a responsabilidade pelo próprio viver.
Os espíritos,
já em 1863, nos aconselhavam literalmente: “Não deixeis que pensamentos fúteis
ou mundanos os perturbem (...) Vivei com os homens do vosso tempo, como devem
viver os homens; sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades de
cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza (...) Estai sempre alegres e
contentes, mas com a alegria de uma boa consciência e a ventura do herdeiro do
céu (...) A virtude não consiste numa aparência severa e lúgubre, ou em repelir
os prazeres que a condição humana permite. (...) Nada façais sem que a
lembrança de Deus venha purificar e santificar os vossos atos”.
Não é
preciso orar 24 horas por dia, apontar o dedo para o que não considera correto,
se colocar na posição de julgador do mundo. O conselho da Espiritualidade é
estarmos no mundo sem abrirmos mão da condução da nossa própria vida. Estarmos
no mundo usando de nossa inteligência, de nosso livre-arbítrio, de Deus em nós
em amor, sabedoria e virtudes.
Podemos
viver os prazeres do mundo, pois a condição humana nos permite. O que não
devemos é abusar dos prazeres e a eles nos escravizar. Como nos ensina o
apóstolo Paulo: Todas as coisas nos são
lícitas, mas nem todas as coisas nos convêm. (1 Coríntios 6:12)
Não raro
nos pegamos comentando sobre a falta de humanidade, dos outros! - aliás, o que
é humanidade? - Sobre os erros, dos outros! Sobre os enganos, dos outros!!! Vamos
cuidar para não cairmos no fanatismo, alienados de nossas necessidades de
lazer, sexo, conforto, alegrias. É no exagero, na falta de equilíbrio, no
desrespeito a nós mesmos e às outras pessoas que identificamos nossas necessidades
de aprendizado.
Não
percamos de vista a sugestão da Espiritualidade: Purificai o coração. Cuide do
pensamento. Elevai o espírito para produzir os frutos da caridade e da
justiça.
Outro
ponto bastante interessante para o qual os Espíritos chamam nossa atenção é
para a prece. Nada de vida mística, buscando proteger-se da sociedade em que
vivemos, da qual fazemos parte. Nossa conexão com Deus é natural quando
colocamos o amor à frente de todas as nossas atitudes. Quanto mais fraternos,
mais nos conectamos com o divino em nós. O trabalho útil, a palavra amorosa, o conforto,
a solidariedade, o acolhimento são formas de prece.
Nosso
desafio é estar no mundo, viver o nosso tempo de encarnados como encarnados, nos
interessando pelas questões sociais, econômicas, políticas, do dia a dia. Aproveitemos
as oportunidades que nos caem nas mãos diariamente. O que vai fazer a
diferença, sempre, é o como vamos viver cada situação. Podemos escolher ser a
pessoa que vai fazer a diferença, que vai propor um novo olhar, um novo agir,
um novo falar.
Não
aprende nada aquele que, sentado à janela, exclui-se da vida comum, julgando-se
acima do bem e do mal. Vamos lembrar: para fazer o bem é preciso a ação da
vontade. Para fazer o mal, basta não fazer nada. Estamos aqui. Fazemos parte. Devemos
lidar com a realidade que nos rodeia. Temos responsabilidade com o mundo em que
vivemos, com todos os seres.
Um
exemplo simples que ouvi, certa vez, em palestra do jornalista André Trigueiro.
Ele perguntou:
- “Sabe
por que os espíritas não se preocupam com o meio ambiente?”
E ele
mesmo respondeu:
- “Porque,
para os espíritas, a verdadeira pátria é a pátria espiritual!”
Só que nos
esquecemos que é na Terra, este planeta-escola que nos acolhe na reencarnação,
que aprendemos e que, ao reencarnarmos aqui, sempre encontraremos o planeta do
jeitinho que o deixarmos, mesmo transformado em um planeta de regeneração. Até
porque a regeneração será também a nossa.
Seremos pessoas mais caridosas, solidárias, mas teremos menos o que
compartilhar em riquezas naturais, alimentos, ar puro, sombra...
Em outras
palavras: nenhum de nós está em temporada de férias. Encarnamos a trabalho,
trabalho a favor do nosso planeta-escola que nos acolhe para o nosso
aprimoramento, para a corrigenda de enganos, para o nosso aprendizado; a favor da
nossa evolução e da evolução de todos que amamos.
É vivendo com os semelhantes, nas lutas mais
árduas, que temos a oportunidade de entrar em contato com a caridade, usufruindo
dela ou praticando-a. Somos todos necessitados da bondade uns dos outros, ainda.
Por isso, também, não devemos nos isolar. Quando nos isolamos voluntariamente, nos
sabotamos, desperdiçamos uma chance abençoada de aprimoramento. Somente no
contato com os semelhantes, encontramos ocasião de tornarmos melhores. Todo convívio
é oportunidade de exercício no bem. A vida não improvisa, não existem encontros
casuais.
Alegria,
independentemente do que nos aconteça, é caminho para sermos virtuosos. E onde
existe alegria, a severidade naturalmente se intimida. Nem sempre é suave
conviver com pessoas diferentes de nós – mas, como já escrevi, não estamos em
férias. Logo, ao trabalho!
Fonte: O Evangelho Segundo o
Espiritismo, cap. XVII, item 10, “O homem no mundo”
Nenhum comentário:
Postar um comentário