Qual
é o nosso dever?
O Espírito
Lázaro, aquele que Jesus foi buscar nas catacumbas, nos esclarece: é o cuidado
com nós mesmos. É a obrigação que temos, primeiro, com nós mesmos e, depois,
com os outros. Quem cumpre o seu próprio dever ama a Deus mais que as criaturas e ama as
criaturas mais que a si mesmo.
Pequenos ou grandes, ignorantes ou
instruídos, sofremos todos pelos mesmos motivos, a fim de que cada um de nós
possa pesar com justiça, sem sombra de dúvida, o mal que pode fazer. Já para o
bem, não existe o mesmo critério: o bem é infinitamente mais variado nas suas
expressões. Daí que o dever nasce
dessa consciência do Bem e do Mal.
E como o dever se refere ao cuidado com nós mesmos, ele termina no
limite que não desejaríamos ver transposto em relação a nós mesmos. Quanto seu
ponto de partida, é precisamente o ponto em que ameaçamos a felicidade ou a
tranquilidade do nosso próximo. Resumindo: não faça ao outro o que não quer
para si e, deste modo, estará cumprindo o seu dever!
Esta obrigação íntima, que a Doutrina dos
Espíritos chama de dever, implica autoconhecimento para investimento no melhor
em nós. Só sabendo quem somos identificaremos nossos prós e contras. E, a
partir daí, poderemos compartilhar nosso amor mais puro, mais genuíno, mais
generoso, e combater tudo o que nos prejudica, como o egoísmo, o orgulho em
exagero, a fraqueza de caráter etc. Cada um sabe de si.
O dever nasce da razão, como o filho
nasce da mãe. O dever é o resumo prático de todas as especulações morais. O
dever nos preserva dos males da vida, é a coragem da nossa alma, pois transmite
à alma o vigor necessário para o seu desenvolvimento. Mas temos de estar bem
vivos, atentos. Não existe ninguém fiscalizando, avaliando, nossas atitudes.
Diferente
do dever social, profissional, familiar, muitas vezes imposto e reconhecido
quando bem cumprido ou cobrado, quando descumprido, o dever moral, a obrigação íntima,
é invisível ao olhar dos outros.
Quando resistimos às tentações, às
paixões que podem comprometer nossa história, não acontece queima de fogos de
artifício nem recebemos troféu por termos sido fortes. Nossas derrotas também
não sofrem repressão ou crítica. Somos, a um só tempo, juízes e escravos na
nossa própria causa.
Na contramão das paixões, de tudo que
seduz, o dever é talvez o maior desafio que vivenciamos, exatamente porque ele está
em ligação direta com o nosso livre arbítrio, com a nossa liberdade de escolha,
e com a nossa consciência. Na nossa vida não existe o não escolher. Cada
segundinho da vida que vivemos é feito de escolhas, todas sob a nossa
responsabilidade.
Nós escolhemos ficar na frente da TV
assistindo a um filme, no computador jogando ou lendo um bom libro; se vamos
transformar nossas aflições em aprendizado ou fingir que nada está acontecendo.
Nós escolhemos se vamos refletir ou não sobre a nossa vida. Nós escolhemos se
vamos aproveitar as oportunidades que temos de autoconhecimento, os sentimentos
que vamos alimentar, os pensamentos que vão ocupar a nossa mente. Nós
escolhemos os momentos de falar, calar, julgar, dar as costas... Nós
escolhemos!!!
É verdade que, muitas vezes, escolhemos
sem ter consciência de que estamos escolhendo. Mas até isso é uma escolha. Pois
ao nos deixar levar pelas paixões, pelas seduções do mundo, abrimos espaço para
estar na vida no automático, desconectados do divino em nós.
Nossa consciência nos adverte, chama
nossa atenção para o que estamos fazendo de errado, para os nossos enganos,
para as nossas distrações. Nossa consciência atua como guardiã de nosso viver,
de nosso bem viver, de nosso viver para o bem, mas identificar seus alertas também
é opção nossa.
Ao ver seu extrato bancário, o filho teve o que considerou uma grande ideia: economizar o dinheiro do pai em proveito próprio. Assim, escolheu profissionais de segunda, materiais de segunda e passou a gastar o dinheiro com os próprios prazeres.
Ao retornar de viagem, o empresário surpreendeu-se ao encontrar o filho doente e a casa que pediu para construir caindo aos pedaços. Mesmo assim, cumpriu seu compromisso, entregando ao filho a escritura da propriedade, dizendo: “A casa que eu pedi para você construir era para você mesmo, meu filho ... Não é a residência que sonhei, mas devo estar satisfeito com a que você próprio escolheu”.
Que
esta história no sirva para reflexão sobre nossos atos, escolhas, sobre como
estamos cumprindo o dever com nós mesmos nesta vida.
Fonte: O
Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.
XVII, item 7, O Dever
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