quinta-feira, 21 de julho de 2016

Corpo e espírito, cúmplices de jornada

Todos somos espíritos em aprendizado na matéria, na carne, no corpo.  Cada um de nós, nesta fase da vida, precisa de um corpo para que o espírito se aprimore, conquiste o bem-estar, o bem viver, a paz íntima, o amor. É o espírito que anima, dá vida, ao corpo. É o corpo que proporciona ao espírito a oportunidade única de evoluir. Utilizando expressão da atualidade, o progresso só acontece pra valer com corpo e espírito “juntos e misturados”!

Resultado de imagem para chakras e centros de forçaDuvida?! Não importa! Corpo e espírito vivem em dependência recíproca. Tudo que acontece em um, reflete-se no outro. Cuidar de um é cuidar de outro. Negligenciar um é negligenciar o outro.

Então, como cuidar do corpo e do espírito se os dois são tão diferentes e têm necessidades tão específicas?

Um bom ponto de partida é considerá-los cúmplices de jornada e seguirmos vivendo como as pessoas do nosso tempo vivem, cultivando alegria, desfrutando de tudo que a vida nos oferece: conforto, lazer, tecnologia, prazeres...

A condição humana nos permite tudo, o que não devemos é abusar, nos escravizar, comprometer nossa jornada. Nunca é demais lembrar o  apóstolo Paulo: Tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém. (1 Coríntios 6:12)

Hoje não nos falta informação! Talvez nos falte amor, autoamor, e determinação para usar o livre-arbítrio a nosso favor, indo além dos prazeres instantâneos!

Cada um de nós é responsável pela própria vida. De tempos em tempos, é importante avaliarmos o que estamos dando para a vida, porque a vida nos devolve tudo que damos a ela. É interessante que tenhamos sempre em vista nossa condição de mudar a trajetória, de refazer os planos, de ajustar a caminhada, a rota. A condução é sempre nossa!

Pensando no corpo
Sabemos, por exemplo, da importância de uma boa noite de sono e da prática de exercícios físicos; do mal que faz excesso de sal e de gordura na nossa alimentação; da necessidade de buscar ar puro, tomar sol em horário adequado, consumir frutas, verduras e legumes; da importância do lazer; do risco da automedicação, do uso de drogas (lícitas e ilícitas) e da prática do sexo desenfreado e/ou sem proteção.

Sentimentos e pensamentos também se refletem no nosso corpo. Esperança, fé, amor, alegria, paz, boas ideias, proporcionam energias que equilibram e deixam o nosso organismo saudável. Já o ódio, o rancor, a raiva, a tristeza, a mágoa, o desejo de vingança causam perturbações e doenças. E estes são só exemplos para o bem e para o mal.

Mesmo quem acredita que maltratando o corpo – jejuando, por exemplo -  purifica a alma comete ação contra o patrimônio divino que usamos por empréstimo. Sim! Nosso corpo está conosco por empréstimo – e assinamos termo de garantia. Aí outra responsabilidade: na devolução, temos de prestar contas de como o usamos: gasto, envelhecido, faz parte... Mas e o que foi, deliberadamente, mal uso, descuido?

Nosso corpo é instrumento para experiências evolutivas, está momentaneamente ligado a nós, como uma roupa que usamos para não andarmos nus. A ideia de que “o corpo é meu e faço com ele o que quero” está em desalinho com os esclarecimentos dos Espíritos. Nosso corpo físico atende a nossas necessidades espirituais. Não existe acaso nem improviso na nossa vida inteira.

Em absolutamente tudo, somos herdeiros de nós mesmos. Quer dizer, em outras reencarnações, teremos o corpo que tivermos deixado ao partir, sem o desgaste natural do tempo, mas com as marcas do nosso livre-arbítrio, das nossas escolhas.

Pensando no espírito
O espírito também necessita de manutenção, de atenção. Mas cuidar do espírito não é orar 24 horas por dia. Cuidar do espírito é escolher sempre o bem, o amor, reconhecer a presença de Deus nos mínimos detalhes: na flor que nasce no meio do asfalto, no dia chuvoso ou ensolarado, na pessoa que nos auxilia ou nos repudia, nos nossos sentidos...

A conexão com Deus é natural quando colocamos o amor à frente de todas as nossas atitudes. Quanto mais fraternos, mais sentimos o divino em nós. 

Em qualquer lugar, em qualquer situação, podemos ser a pessoa que faz a diferença, que propõe um olhar diferente, pois contempla a vida na matéria e a vida em espírito.  E quem assim age não assume atitudes impensadas, não vive no bateu-levou; devolve o mal com o bem...  

Ah, é um santo? Uma santa? – você pode estar pensando...
- Não. Cuidar do corpo e do espírito é dizer ‘sim’ para tudo que a vida oferece, sem fanatismo religioso e sem alienação de nossas necessidades de lazer, sexo, conforto, alegrias. É no exagero, no desrespeito a nós mesmos e ao próximo, que comprometemos nossa caminhada. A palavra é equilíbrio.

E buscar esse equilíbrio com calma, respeito e dignidade é a nossa tarefa individual: somos responsáveis por cada uma de nossas escolhas – e nunca é demais lembrar que “nada fazer” é, também, uma escolha.

Corpo e alma são necessários um ao outro. É preciso cuidar de ambos. Vamos desfrutar da bênção que é viver, mas não percamos de vista o bem, não percamos de vista o amor, não percamos de vista a nossa inteireza, plenitude, não percamos de vista os ensinamentos de Jesus, não percamos de vista Deus, em nós.

  

Fontes:
1 -  O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 17, item 11;
2 - O Livro dos Espíritos, questões 718 a 727;
3 - O Espírito da Verdade (Espíritos Diversos); [psicografado por] F.C.Xavier e Waldo Vieira 




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