Todos somos espíritos em
aprendizado na matéria, na carne, no corpo.
Cada um de nós, nesta fase da vida, precisa de um corpo para que o
espírito se aprimore, conquiste o bem-estar, o bem viver, a paz íntima, o amor.
É o espírito que anima, dá vida, ao corpo. É o corpo que proporciona ao
espírito a oportunidade única de evoluir. Utilizando expressão da atualidade, o
progresso só acontece pra valer com corpo e espírito “juntos e misturados”!
Então, como
cuidar do corpo e do espírito se os dois são tão diferentes e têm necessidades
tão específicas?
Um bom
ponto de partida é considerá-los cúmplices de jornada e seguirmos vivendo como
as pessoas do nosso tempo vivem, cultivando alegria, desfrutando de tudo que a vida
nos oferece: conforto, lazer, tecnologia, prazeres...
A
condição humana nos permite tudo, o que não devemos é abusar, nos escravizar,
comprometer nossa jornada. Nunca é demais lembrar o apóstolo Paulo: Tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém. (1 Coríntios 6:12)
Hoje não
nos falta informação! Talvez nos falte amor, autoamor, e determinação para usar
o livre-arbítrio a nosso favor, indo além dos prazeres instantâneos!
Cada um
de nós é responsável pela própria vida. De tempos em tempos, é importante
avaliarmos o que estamos dando para a vida, porque a vida nos devolve tudo que
damos a ela. É interessante que tenhamos sempre em vista nossa condição de
mudar a trajetória, de refazer os planos, de ajustar a caminhada, a rota. A condução
é sempre nossa!
Pensando no corpo
Sabemos,
por exemplo, da importância de uma boa noite de sono e da prática de exercícios
físicos; do mal que faz excesso de sal e de gordura na nossa alimentação; da
necessidade de buscar ar puro, tomar sol em horário adequado, consumir frutas,
verduras e legumes; da importância do lazer; do risco da automedicação, do uso
de drogas (lícitas e ilícitas) e da prática do sexo desenfreado e/ou sem
proteção.
Sentimentos e pensamentos também se refletem no nosso corpo.
Esperança, fé, amor, alegria, paz, boas ideias, proporcionam energias que
equilibram e deixam o nosso organismo saudável. Já o ódio, o rancor, a raiva, a
tristeza, a mágoa, o desejo de vingança causam perturbações e doenças. E estes
são só exemplos para o bem e para o mal.
Mesmo
quem acredita que maltratando o corpo – jejuando, por exemplo - purifica a alma comete ação contra o patrimônio
divino que usamos por empréstimo. Sim! Nosso
corpo está conosco por empréstimo – e assinamos termo de garantia. Aí outra
responsabilidade: na devolução, temos de prestar contas de como o usamos:
gasto, envelhecido, faz parte... Mas e o que foi, deliberadamente, mal uso,
descuido?
Nosso
corpo é instrumento para experiências evolutivas, está momentaneamente ligado a
nós, como uma roupa que usamos para não andarmos nus. A ideia de que “o corpo é meu e faço com ele o que quero” está em
desalinho com os esclarecimentos dos Espíritos. Nosso corpo físico atende a
nossas necessidades espirituais. Não existe acaso nem improviso na nossa vida
inteira.
Em absolutamente tudo, somos
herdeiros de nós mesmos. Quer dizer, em outras reencarnações, teremos o corpo
que tivermos deixado ao partir, sem o desgaste natural do tempo, mas com as
marcas do nosso livre-arbítrio, das nossas escolhas.
Pensando no espírito
O espírito
também necessita de manutenção, de atenção. Mas cuidar do espírito não é orar
24 horas por dia. Cuidar do espírito é escolher sempre o bem, o amor,
reconhecer a presença de Deus nos mínimos detalhes: na flor que nasce no meio
do asfalto, no dia chuvoso ou ensolarado, na pessoa que nos auxilia ou nos
repudia, nos nossos sentidos...
A conexão
com Deus é natural quando colocamos o amor à frente de todas as nossas
atitudes. Quanto mais fraternos, mais sentimos o divino em nós.
Em
qualquer lugar, em qualquer situação, podemos ser a pessoa que faz a diferença,
que propõe um olhar diferente, pois contempla a vida na matéria e a vida em
espírito. E quem assim age não assume
atitudes impensadas, não vive no bateu-levou; devolve o mal com o bem...
Ah, é um
santo? Uma santa? – você pode estar pensando...
- Não.
Cuidar do corpo e do espírito é dizer ‘sim’ para tudo que a vida oferece, sem
fanatismo religioso e sem alienação de nossas necessidades de lazer, sexo,
conforto, alegrias. É no exagero, no desrespeito a nós mesmos e ao próximo, que
comprometemos nossa caminhada. A palavra
é equilíbrio.
E buscar esse equilíbrio com
calma, respeito e dignidade é a nossa tarefa individual: somos responsáveis por
cada uma de nossas escolhas – e nunca é demais lembrar que “nada fazer” é,
também, uma escolha.
Corpo e
alma são necessários um ao outro. É preciso cuidar de ambos. Vamos desfrutar da
bênção que é viver, mas não percamos de vista o bem, não percamos de vista o amor,
não percamos de vista a nossa inteireza,
plenitude, não percamos de vista os ensinamentos
de Jesus, não percamos de vista Deus,
em nós.
Fontes:
1 - O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 17, item 11;
2 - O Livro dos
Espíritos, questões 718 a 727;
3 - O Espírito da
Verdade (Espíritos Diversos); [psicografado por] F.C.Xavier e Waldo Vieira
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