sábado, 24 de setembro de 2016

Nós somos Fé, Esperança e Caridade

Um dia, três irmãs, batizada como Fé, Esperança e Caridade da Silva, de Oliveira, Cavalcanti, Santos, Pereira, Souza, Lima, Costa, Carvalho, Rodrigues (só para citar dos dez sobrenomes mais comuns no Brasil, nove deles de origem portuguesa) saíram pelo mundo para ajudar os aflitos.

À beira da estrada, elas encontraram uma pessoa muito doente, que pedia esmola e se sentia humilhada, ferida em seu orgulho por muitos daqueles que sequer lhe endereçavam um olhar.

A Fé, a mais forte das três, robusta e persuasiva, na hora, prontificou-se a ajudá-la, fazendo despertar sua semente adormecida naquele coração. E, imediatamente, sua força se fez sentir: a pessoa sentiu-se contagiada pela lembrança de Deus e acreditou que poderia, ela mesma, ajudar-se. Com uma coragem que nunca havia experimentado antes, levantou-se com dificuldade e buscou um hospital.

Contando com a , caminhando ao seu lado (mesmo sem ela saber), chegou ao pronto-socorro, suja, mal-cheirosa, mas foi acolhida com prontidão. Perceberam a urgência de seu caso. Acabou internada e viu-se, por consequência, assistida também em suas necessidades básicas, de higiene, alimentação e local para dormir.

Passado um tempo, curada, recebeu alta do hospital. Vale lembrar que, lá, aprendeu a orar e, ao alcançar a rua, com alegria, lembrou-se de Deus.

A continuava firme ao seu lado, mas não a impediu de lembrar sua situação: havia restabelecido a saúde, mas continuava sem casa, sem trabalho, sem família, sem amigos, sem amanhã.

Neste momento, a Esperança, que é como uma luz a iluminar-se dentro de nós para que não nos percamos na escuridão, entrou em ação e a “convidou” para um passeio no alto de uma montanha para aproveita o dia tão ensolarado. Lá, ela pode ver os férteis campos da região onde vivia. E, na hora, lhe veio a ideia de buscar o emprego em uma fazenda. Movida pela Esperança, pela confiança, com o pensamento positivo, se pôs a caminho. E conseguiu o emprego, com casa e comida.

Na fazenda, trabalhou duro, aprendeu a cultivar a terra, fez amigos, porque a Esperança fez dela alguém com quem todos gostavam de conviver, dado seu otimismo, sua alegria de viver.

Assim, em pouco tempo, a pessoa que vivia na mendicância havia guardado dinheiro suficiente para comprar suas próprias terras. Nada muito grande, mas o seu canto para viver.

Passados alguns anos, vamos encontrá-la, casada, com filhos e até com alguns empregados, além de muitos amigos conquistados.

Fé e Esperança, satisfeitas, disseram à Caridade: 
- Não te preocupes em realizar tua obra. Nós, juntas, mudamos completamente a vida desta pessoa, fazendo-a forte e próspera.

Mas, não demorou, Fé e Esperança perceberam seu pupilo triste e pensativo. Consultando seu coração ouviram: “Tenho tudo que podia querer, mas sinto um vazio tão grande no peito!”

As duas irmãs, analisando a situação, entenderam que precisavam da ajuda da Caridade.  E a pessoa, ao sentir a sua presença, que é o amor, genuíno, pleno, que não espera nada em troca, sentiu em seu coração a Lei de Deus em sua inteireza e encontrou em si o desejo de ajudar outras pessoas, fazendo todo o bem que pudesse e estimulando sua família a fazer o mesmo.

Resultado de imagem para fé esperança caridadeFé e Esperança entenderam que, apesar de terem realizado um trabalho de grandeza extraordinária, sem amor nada faz sentido.

Por isso, o Espírito José, no capítulo XIX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no item 11,  afirma que Fé, Esperança e Caridade são virtudes que formam “uma trindade inseparável”, fundamental, estão unidas pelos laços da razão e do sentimento- uma sustenta e precisa da outra para existir.  Fé e Esperança são nossos patrimônios íntimos de bênçãos e a Caridade é o canal que espalha essas bênçãos.

Todos temos as sementes da fé, da esperança, do amor. Só que como na história, elas podem estar adormecidas, necessitando de água, de cuidado... Como todas as nossas virtudes – e temos todas elas -, fé, esperança e amor para se manifestarem em toda a sua potencialidade, precisam de atenção.

Não adianta frequentarmos templos, igrejas, centros, casas espíritas, espiritualistas... Virtudes florescem e frutificam de dentro para fora, vivem em nós! 

Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que nos propomos a acalmar corações com palavras de estímulo, coragem, força, generosidade, acolhimento, luz. Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que escolhemos a paz,  a gentileza na nossas relações sociais. Nós somos Fé, Esperança e Caridade toda vez que nos propomos a combater o bom combate, respeitando os que pensam, agem e acreditam em verdades que não são as nossas.

Fontes:
Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 11

domingo, 14 de agosto de 2016

A família que eu escolhi

Resultado de imagem para familia universalA Humanidade é uma grande família. Somos todos da mesma cepa. Não importam as fronteiras, os diferentes idiomas com os quais nos comunicamos, a variedade cultural, a raça, a cor da pele, a religiosidade ou não, o viés político, nosso caráter, a bondade ou maldade em nós, o orgulho, o egoísmo... Nada importa. Somos todos irmãos, somos família!

Jesus, quando esteve entre nós, deixou isso muito claro em pelo menos duas situações, que aparecem nos Evangelhos de Marcos, Mateus e João:

Quando, no meio do povo, foi alertado da chegada de sua mãe e seus irmãos, Jesus respondeu, com as perguntas: “Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?” E apontando para os discípulos à sua volta disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos, porque aquele que fizer a vontade de meu Pau, esse é meu irmão, irmã e mãe.” (Marcos, 3:31-35 e Mateus, 12:46-50)

Na cruz, também, ao ver Maria chorando e perto dela o discípulo João, Jesus olhou para sua mãe e disse: “Mulher, eis teu filho”, apontando para João. Depois, dirigindo-se ao discípulo falou: “Eis tua mãe”. (João 19:26-27)

Mas não pensemos que estas passagens sejam a negação dos pais biológicos. Maria e José, pais biológicos de Jesus, como todos os pais e todas as mães, foram fundamentais para a Sua missão entre nós. Jesus precisava de um corpo físico para cumprir sua missão de exemplificar o amor. Nós precisamos do corpo físico para evoluir, desfazer enganos, nos aprimorar, desenvolver virtudes, aprender a amar.

Assim, apesar de todos os avanços da ciência, ainda precisamos de um pai e de uma mãe, mesmo que de laboratório, do banco de espermas, de aluguel, para reencarnarmos. Todos somos filhos de um pai e de uma mãe! Quer dizer, de algum modo, dois espíritos se dispuseram a garantir uma nova chance para nós aprendermos o que ainda não sabemos; se dispuseram a nos dar a vida.  E por ela, a vida, devemos ser gratos a nossos pais. Jesus reeditou o 5º mandamento, “honra a teu pai e a tua mãe”, por isso.

No alvo
O 5º mandamento é para que não percamos de vista a importância da nossa família carnal que pode, sim, transformar-se na nossa família espiritual se trabalharmos a tolerância, a paciência, a indulgência, a solidariedade, a gratidão, a ternura, o respeito, o perdão...

Se insistimos em alimentar sentimentos de desamor com relação aos nossos familiares – por mais justificadas que sejam as nossas razões -, abrimos mão de usufruir do presente da vida na sua inteireza, o que inclui o aprendizado de muitas lições nas quais já fomos reprovados em vidas passadas.

Todo sentimento, de amor ou desamor, antes de ir para o outro, acontece dentro de nós. Se ficamos reclamando, focando nas imperfeições do outro, só aprofundamos a insatisfação em nós, nos sabotamos. Cada um dá o que tem!

Não temos como mudar o passado e quanto mais cedo aceitarmos as coisas do jeitinho que aconteceram, mais rapidamente nos libertaremos dos sentimentos que nos paralisam, aprisionam, comprometem nosso caminhar, nossa alegria de viver.

Um parente que nos incomoda, não tenhamos dúvida, é sinal de alerta, para que transformemos os sentimentos que temos em relação a eles. Sentimento é alimento da alma.

Não é à-toa que Jesus nos convida ao autoconhecimento. Só assim vamos superar nossas imperfeições, nossa intolerância, incompreensão, animosidade, ciúme, raiva,  inveja, rebeldia... A verdade sobre nós mesmos é que nos liberta.

É no lar - nosso laboratório de aprendizagem - e é em família que temos a oportunidade de cumprir as leis de cooperação e de fraternidade, muitas vezes sem perceber, seja  cuidando uns dos outros por meio da alimentação, pagando as contas, limpando a casa, garantindo o teto, indo à escola, fazendo companhia, levando ao médico...

Estar em família é uma oportunidade abençoada para praticarmos a Lei do Amor, que nos ensina a fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem para nós. É em família, é no lar, que temos oportunidade das vivências, de trabalharmos nossas imperfeições, nossos enganos. É em família que somos perdoados e perdoamos a maioria das vezes.

Muitas vezes, o amor em família fica “escondido” por conta dos problemas do dia a dia. Mas ser pai, mãe, filho, filha são como missões que assumimos perante nós e os outros. Mas estamos em aprendizado. Por isso nem sempre somos os melhores pais, as melhores mães, os melhores filhos e filhas.

Não existe família errada. Fomos colocados em regime de intimidade para aprendermos uns com os outros e nos ampararmos reciprocamente – e na maioria absoluta dos casos, a escolha foi nossa! Silenciar, desculpar, amparar, amar muito e sempre. Todos somos irmãos, uma grande família em construção!


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A porta, a chave, o chaveiro

A maioria de nós conhece a passagem em que Jesus nos fala para entrar pela porta estreita porque “larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição” (Mateus (VII: 13-14). A questão é que vivemos em um mundo em que as portas largas estão escancaradas! Viajando na alegoria proposta por Jesus, podemos pensar que os marceneiros que fabricam as portas largas contrataram a melhor equipe de marketing do planeta! Somos, todo o tempo, estimulados ao consumo desenfreado como sinônimo de sucesso, bem viver, de ter asas, criatividade, charme... Mesmo as religiões, muitas, vendem o conceito da porta larga quando sugerem que podemos comprar bênçãos divinas com dinheiro, quando na verdade as bênçãos divinas estão todo o tempo à nossa disposição!

Porta larga é propaganda enganosa, mesmo quando pensamos que ela é sinônimo de paixões e prazeres. Isso porque porta larga é também sinônimo de dor, a dor de quem mal sofre, de quem sofre com rebeldia, reclamação, acusações, desejo de vingança, ira, desejo de morte.

Quando escolhemos nos revoltar, não aceitar o que não podemos mudar, escolhemos a porta larga. Quando por medo da solidão nos transformamos em pais, mães, parceiros e parceiras cobradores, escolhemos a porta larga. Quando confundimos vingança com Justiça, posse com amor, orgulho com honra, escolhemos a porta larga.

Por meio da palavra, falada ou escrita, da ação ou do exemplo, também, muitos nos abrem portas, bem como nós abrimos portas para os outros, portas até com placas indicativas: “Porta da Indisciplina”, “Porta das Futilidades”, “Porta do Perigo”, “Porta da Preguiça”, “Porta da Maledicência”, “Porta da Inveja”... Observemos! Atitude é tudo!

Atitude de perdão, de compreensão, de compaixão, generosidade, solidariedade, é tudo de bom – a contramão disso, é tudo de mal. Mas não basta querer ser bom, é preciso ter atitudes de bondade. Cada lágrima que conseguimos enxugar abre, facilita nossa passagem pela porta estreita. Cada sorriso que conseguimos colocar em um rosto triste. Cada carinho em uma mão calejada, cada gesto de amor, abre, facilita nossa passagem pela porta estreita.

A nossa conduta diz quem somos. É nas situações do dia a dia, aparentemente insignificantes, que temos a oportunidade de exemplificar a compaixão, a dedicação, o acolhimento...

E o melhor: não precisamos de dia e hora marcados para sermos assim. Podemos investir, exercitar este modo de viver no lar, com nossos vizinhos, na rua, no transporte público, no ambiente de trabalho, o tempo todo, em todo lugar, com todo mundo.  

Importante: somos espíritos vivendo uma experiência na matéria, portanto, vivamos no mundo desfrutando de tudo de bom que ele nos oferece. Lembremos que a primeira manifestação de Jesus entre nos foi em uma festa. Quer dizer, a questão não é se divertir, mas o como estamos nos divertindo, como estamos nos relacionando, o que estamos compartilhando, quais têm sido as nossas escolhas.
                  
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A força da nossa vontade é uma das fantásticas ferramentas que temos à disposição para identificar a porta que nos convém. E, criados livres, temos a existência para eleger nossas prioridades, nosso caminho. Nascemos chaveiros e a cada reencarnação confeccionamos nossas chaves, fazemos cópias, abrimos fechaduras, trocamos segredos e assim, no nosso tempo, descobriremos os prós e contras de cada porta, conscientes de nossa responsabilidade por cada gesto.

Fontes:
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo
XAVIER, F. C. Cartas e Crônicas, pelo Espírito Irmão X
XAVIER, F. C. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Quer casar comigo?

A maioria de nós insiste em responder “não” a esta pergunta que nos é feita, com insistência, todo o tempo, a vida inteira. Se quisermos pensar na primeira vez que ouvimos, explicitamente, este convite “Quer casar comigo?”, lembremos a Parábola das Bodas, a Festa de Núpcias, contada no Evangelho de Mateus (22:1-4).

A parábola conta a história de um rei que queria dar a maior festa de núpcias de todos os tempos, queria celebrar a união por amor. Para isso, ele enviou seus servos para que convidassem todas as pessoas que, de algum modo, já frequentavam seu palácio. Para espanto do rei, no entanto, todos os convidados, com desculpas esfarrapadas, recusaram o convite, muitos, inclusive, foram rudes, violentos com os emissários. Mas o rei não desistiu de celebrar a união por amor com uma grande festa. Queria o palácio lotado para que as pessoas sentissem a força do amor e determinou que todos da cidade fossem convidados, independentemente de serem boas ou más. Assim, no dia da grande festa, o palácio ficou lotado. Mas nem todos cuidaram de se trajar como se deve para uma festa de casamento. E o rei, zangado, mandou expulsar a pessoa que não estava vestida de maneira adequada, dizendo, inclusive, que ela deveria responsabilizar-se por sua inadequação, por não ter-se preparado para a celebração do amor.

Esta parábola mostra nossa relação com Deus – Ele é o rei e seu filho, que veio celebrar o amor, é Jesus. A humanidade são os convidados, somos nós nas nossas diferentes relações com o divino – muitos O louvamos, outros tantos lembramos d’Ele na hora das petições, outros tantos negamos Sua existência, outros ainda têm fé da boca para fora, outros usam seu nome em vão... Os emissários, que foram fazer os convites, são os profetas e os missionários que pagaram com a vida por convidar as pessoas para a grande festa da celebração do amor, a festa de núpcias, de casamento.

De acordo com a parábola, todos foram chamados, mas mesmo entre os que aceitaram o convite, alguns vieram apenas por curiosidade, sem se preocupar com a veste nupcial.

Nós sempre somos convocados ao testemunho do amor, do bem, da vida, seja por meio de convites para festas de casamento, de batismo, de aniversário; seja por meio da filosofia, da ciência, da literatura, da música, das religiões, dos desafios do dia a dia, da misericórdia divina que nos permite viver momentos felizes.  Nós sempre somos convocados ao testemunho do amor.

Recebemos revelações divinas todo o tempo, com o nascimento de um bebê, com a cura de uma doença, a descoberta de um novo planeta, com a produção de alimentos, os avanços tecnológicos... Somos, todo o tempo, estimulados a trabalhar virtudes, a caridade, os bons sentimentos em nós, a inteligência, a sabedoria, todos já registrados de viva voz pelo próprio Jesus.

Somos estimulados todo o tempo a nos comportarmos com ética, mas apegados à matéria, ao supérfluo, aos valores transitórios e prazeres imediatos, recusamos, dia a dia, o convite para amarmos muito e sempre. Assim,  deixamos de cuidar da veste nupcial, da “roupa adequada” para celebrarmos o amor.

Todos nascemos com a veste adequada para celebrarmos o amor, que é o coração puro. Mas, criados simples e ignorantes, fomos vivendo e escolhendo alimentar em nós sentimentos que maculam, “sujam” nosso coração, nossa veste nupcial.

Paixão, ciúme, vaidade, discórdia, revolta, avareza, apego, raiva, posse, desejo de vingança são exemplos de sentimentos que “sujam” nosso coração, nossa veste nupcial.

Autoconhecimento
Para cada um de nós limpar o coração, entretanto, antes, temos que saber quais são as nossas “sujeirinhas”, os sentimentos que têm comprometido nossa pureza de viver.

E assim, mais uma vez, Jesus nos fala da importância do autoconhecimento, da importância de sabermos quem somos, o que e como sentimos.

Hoje em dia, as empresas, para melhor se posicionarem no mercado, costumam utilizar uma estratégia, na qual analisam seus pontos fortes, seus pontos fracos, as ameaças da concorrência e do próprio negócio, bem como as potencialidades, de modo a planejar um futuro que lhes garanta sucesso.

Façamos isso com as nossas vidas, identificando nossos pontos fortes, como as virtudes que já conquistamos; nossos pontos fracos, como nossos enganos, vacilos e invigilância; nossas ameaças, que podem ser identificadas pelo nosso grau de orgulho e egoísmo; e nossas oportunidades reais de crescimento nesta encarnação, como a disposição de nos modificarmos, de nos autoconhecermos, de entrarmos em contato com o amor em nós. Assim, pouco a pouco, vamos nos libertando do sofrimento e da dor, substituindo vícios e imperfeições por leveza, paz interior...

Fica subentendido nesta parábola que nem sempre nos preparamos para vivenciar os ensinamentos de Jesus. Mesmo quando buscamos Deus, o rei, por meio da prece, de promessas, novenas, doações ou de assistências espirituais, queremos o milagre, a bênção de mão única, esquecendo nossa condição de responsáveis por todos os atos da nossa vida. Ao buscarmos Deus, queremos que, em um passe de mágica, Ele solucione os nossos ais.

Mas só a verdade é libertadora, verdade sobre nós mesmos. Daí a importância de nos perguntarmos sobre a nossa responsabilidade por tudo que nos acontece. Só sabendo quem somos teremos condições de promover mudanças na nossa maneira de estar na vida. Só tendo clareza do nível do nosso apego material, da nossa disposição em ser caridoso ou não, da nossa capacidade de amar ou não, teremos condições de elaborar um plano de crescimento íntimo.

Vale refletirmos sobre a utilidade ou inutilidade de cada um dos sentimentos que guardamos no peito. De que nos vale a impaciência, a arrogância, a falta de tolerância, a incompreensão, o julgamento dos outros, a raiva?... Quais sentimentos são como véus que nos impedem de ver a verdade sobre nós, sobre a nossa vida? Quais sentimentos endurecem a nossa alma?

Deus é sempre misericordioso. Nós é que nem sempre estamos preparados para perceber e desfrutar de sua misericórdia. Costumamos dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas não. Deus escreve certo por linhas certas. Nós é que não sabemos ler. Daí não usarmos a roupa adequada ao irmos a uma festa de casamento! Daí a nossa imprevidência. Daí o nosso atraso espiritual.

A veste de núpcias simboliza o amor, a humildade, a boa vontade em encontrar a verdade para observá-la, ou seja, a pureza das intenções.

As conquistas morais são para sempre. Nos acompanham a cada reencarnação, nos fortalecendo para novos aprimoramentos e para entrar em contato com o amor genuíno.